sexta-feira, 6 de setembro de 2013

AGATHA & TURISMO - A Milha Agatha Christie



Coisas Legais para se Fazer em Torquay:


The Agatha Christie Mile 


Torquay Moderna



Esta é a postagem inaugural da mais nova seção desta Revista-blog: Agatha & Torquay. A cidade de Torquay, na região da Riviera Inglesa, em Devon, é o local de nascimento de Agatha Christie. Lá ela viveu por toda a sua infância e juventude, até seu primeiro casamento, em 1914, e para lá ela voltou, anos mais tarde, já casada pela segunda vez com Max Mallowan, para viver pelo resto de sua vida.

Em vista disso, Torquay não só está inteiramente envolta em acontecimentos de celebração da vida e da obra de Agatha Christie (como o próprio Festival Agatha Christie: postagem especial sob o marcador: Setembro 2013: Mês Agatha Christie), mas também está repleta de locais e construções que remontam a sua época e que foram, de algum modo, inspiradores em sua vida.




Torquay antiga



São lugares que ela frequentava e que guardam – no silêncio de suas paredes e árvores e ruas e janelas e jardins e objetos – a lembrança e a memória de nossa querida Rainha do Mistério. Assim, pretendo, nas publicações sob este novo marcador, fazer um passeio por Torquay e ir revisitando estes lugares e eventos e desfrutando de suas peculiaridades e curiosidades. Acredite: há mesmo muitas coisas legais para se fazer em Torquay!





A   MILHA  AGATHA  CHRISTIE 
(Agatha Christie Mile)

A Melhor de Todas as Milhas!



mapa dos pontos de destaque da Milha Agatha Christie


Foi muito fácil escolher qual seria a 1ª publicação de Coisas legais para se fazer em Torquay: quando você chega a Torquay, sem sombras de dúvidas, a primeiríssima coisa que você deve fazer é uma agradável caminhada a pé pela assim denominada Milha Agatha Christie (Agatha Christie Mile). 

Imagine-se fazendo um passeio que é uma caminhada de reconhecimento por alguns locais que que tiveram uma participação especial na vida da escritora. Não se trata de um sightseeing tradicional para turistas, mas de um pequeno percurso, ao longo da baía, de frente para o mar, como se pode ver no mapa acima, onde placas exclusivas com uma foto de Agatha Christie marcam os 11 pontos diferentes. Há muitos outros lugares ligados a ela para se conhecer e visitar em Torquay, mas a Milha de Agatha Christie funciona assim como um aquecimento para as futuras emoções. 

Nas próximas edições tratarei de cada uma destas localidades e das outras separadamente, mas, por enquanto, que tal uma breve pincelada pelos 11 locais de destaque da Milha Agatha Christie? Vamos lá: 




GRAND HOTEL







Pode-se começar a caminhada tanto por um extremo como pelo outro da baía de Torquay. Supondo que comecemos pela Torbay Road, nosso 1º ponto é o Grand Hotel, onde Agatha Christie e Archibald Christie se hospedaram logo após seu casamento na véspera do Natal de 1914 e pouco antes de ele partir para a França, para a Guerra, para só retornar seis meses depois.



TORRE  ABBEY





Seguindo adiante na caminhada, o próximo ponto é Abadia de Torre (Torre Abbey), uma construção histórica, datada de 1196, e, portanto, a mais antiga de Torquay. Recentemente reaberta após reformas (em julho de 2013), a Abadia não é mais um prédio religioso, mas é um local para exposições, onde se destacam a Sala Memorial Agatha Christie, com objetos caros à escritora, e – na verdade, do lado de fora da construção – os seus jardins, que sempre fazem parte dos eventos especiais do Festival Agatha Christie de Torquay, com suas plantas venenosas, muito significativas nas estórias da Rainha do Crime.





PRINCESS  PIER



jovem Agatha ao centro

A Marina de Torquay é contida por dois píeres: o Haldon Pier de um lado e o Princess Pier, ou Pier da Princesa, do outro, e que é o próximo ponto de destaque da caminhada. Há época de Agatha Christie, os jovens costumavam patinar ao longo do píer, e a jovem Agatha não era uma exceção. Na verdade, este era um de seus passatempos prediletos! Como se pode ver na foto, lá estava ela ao centro, de vestido longo e chapéu. Só não sei como conseguia patinar vestida assim...






PRINCESS  GARDEN




Mais adiante, em nossa 4ª parada, encontramos os Jardins da Princesa (Princess Gardens), um belíssimo jardim, inaugurado em 1894, e que é todo ornado no estilo clássico vitoriano. Agatha Christie era uma assídua frequentadora, e chegou a incluí-lo na estória de Os Crimes ABC (The ABC Murders).





THE  PAVILLION


Continuando o trajeto, alcançamos um prédio elegante, inaugurado em 1912, destinado a concertos, denominado The Pavillion. Como sabemos, Agatha Christie adorava música e concertos clássicos, e frequentou a casa diversas vezes.



BUSTO DE BRONZE DE 

AGATHA CHRISTIE





A 6ª parada é em um local calmo e que nos convida a um momento de reflexão: chegamos diante do busto de bronze erguido em homenagem à Agatha Christie, o único existente no mundo, e que foi encerrado em 15 de setembro de 1990, data do centésimo aniversário de nascimento da escritora, por sua filha, Rosalind Hicks.




THE  STRAND


The Strand antiga
O próximo ponto na caminhada é a movimentada área denominada The Strand, que já era um ponto de encontro há época da jovem Agatha, local de parada para as carruagens e diligências, e também uma região para se ir às compras, inclusive na sofisticada loja William & Cox, hoje a Hoopers.




MUSEU  DE  TORQUAY



Em seguida, passamos pelo maravilhoso Museu de Torquay, o mais antigo de Devon. Ele é o único no mundo que apresenta uma exposição permanente dedicada a Agatha Christie, criada em 1990, e cujo acervo foi montado com a contribuição da família da escritora através de objetos, fotos inéditas e outras peças.





ROYAL  TORBAY  YACHT  CLUB


Placa sinalizadora de pontos de destaque ao longo da Milha Agatha Christie: Royal Torbay Yacht Club


O Royal Torbay Yacht Club vem logo adiante. O pai de Agatha Christie, Frederick Miller, era um de seus membros e assíduo frequentador, que, como era o costume na época ente os cavalheiros, ia para lá a fim de jogar cartas, ler o jornal, conversar com amigos. Tal rotina só era interrompida na temporada de cricket, quando passava então a frequentar o Clube de Cricket, do qual era presidente.





BEACON  COVE




A 10ª parada fica diante da Enseada de Beacon (Beacon Cove), que quase foi o palco de uma tragédia. Certa vez, a jovem Agatha, que adorava nadar, quase se afogou ali com dificuldades para se livrar das correntezas e sair dali, sendo avistada, por sorte, e salva por um homem que passava de barco.





HOTEL  IMPERIAL 






Chegamos à última parada nesta agradável caminhada: o Hotel Imperial. Diversas vezes retratado por Agatha Christie em seus livros, o elegante e glamoroso hotel tem uma vista belíssima da baía, e foi muito frequentado por Agatha Christie em sua época em diversos eventos sociais. Tanto Hercule Poirot como Miss Marple passaram pelo Hotel Imperial no decorrer de suas aventuras desvendando mistérios: em Peril at End House, um caso de Poirot, Agatha Christie o rebatiza com o nome de Hotel Magestic, ao passo que, em Um Crime Adormecido (Sleeping Murder), é no terraço do hotel que Miss Marple desvenda o mistério no último capítulo.



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Depois desta breve caminhada pela Milha Agatha Christie, estamos prontos para começar a desfrutar com mais detalhes destes e dos outros lugares especiais, na região da Riviera Inglesa, para a vida e a obra de nossa amada escritora. Afinal, ainda há diversas outras coisas muito legais para se fazer e se conhecer em Torquay!




quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Notícias & Novidades - Como aborrecer os fãs de Agatha Christie


Nem só de alegrias vivem os fãs de Agatha Christie.
 
Agatha Christie
Em face da última notícia sobre o mundo de Agatha Christie, fiquei aqui pensando se a publicaria ou não nesta minha singela Revista-blog – especialmente agora no mês de setembro, quando estamos celebrando o mês de aniversário de Agatha Christie. Na verdade, eu não queria nem, por um lado, dar muito crédito a esta notícia triste (para dizer o mínimo), nem tampouco falar de coisas desagradáveis justamente neste mês especial. Porém, o espírito jornalista dentro de mim, febril e ululante, não está conseguindo se conter. Então, vai lá: uma novíssima estória com o detetive Hercule Poirot, escrita por Sophie Hannah e autorizada por Mathew Prichard, neto de Agatha Christie e presidente da Agatha Christie Limited, será publicada em setembro de 2014 pela Harper Collins.

 
Mal foi publicada a notícia no site oficial de Agatha Christie (link permanente na página inicial desta Revista-blog), protestos pipocaram nas redes sociais em todo o mundo – e aqui no Brasil não foi diferente. Minha opinião é a de que isto é absolutamente desnecessário. Além disso, ninguém pode contestar o fato de que tal coisa vai de encontro à vontade manifesta da própria Agatha Christie, haja vista todo o planejamento que arquitetou para que Cai o Pano (Curtain) fosse publicado – a saber: a autora escreveu Cai o Pano no princípio dos anos de 1940, época da II Guerra Mundial, acredita-se, porque temia por sua própria vida, e não queria deixar o personagem de Hercule Poirot em aberto, isto é, livre para ser reescrito em novas estórias por outras pessoas. Como nada aconteceu com ela naquele período, Agatha Christie manteve os originais de Cai o Pano seguramente trancados em um cofre de banco por mais de 30 anos, e com instruções específicas para quando e como deveria ser publicado.


Bem, como sou a favor da liberdade de expressão, abro o espaço para Comentários (assim como o email exclusivo desta Revista-blog: agathachristieobraeautora@gmail.com) para quem desejar se manifestar – contra ou a favor – da empreitada deste novo livro. Envie sua opinião!


E para quem desejar ler mais a respeito do novo livro com Poirot, aqui vão alguns links:

 
Site oficial de Agatha Christie: http://www.agathachristie.com/news/article/best-selling-british-crime-writer-sophie-hannah-to

 
G-1.com


 
Revista Veja:


 
Site Público - Cultura:


 

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Entre Aspas: Como tudo começou


ENTRE DOIS PONTOS HÁ UMA 

LONGA LINHA SINUOSA.



O que levou Agatha Christie a se tornar uma escritora de romances de crime e suspense?



Agatha Christie

Seja quando nos tornamos fãs da escritora, seja qualquer outra pessoa que sabe de sua fama mundial como a Rainha do Crime, em dado momento nos fazemos esta pergunta, não é mesmo? Bem, confesso que este está longe de ser um caso misterioso: qualquer resumo básico a respeito de Agatha Christie – destes os encontrados na orelha de um livro até em um anúncio de DVD, passando pelas resenhas promocionais publicadas pelas editoras, – todos vão responder a questão dizendo que: ou foi por conta de uma aposta que ela fez com sua irmã Madge, ou que foi porque aprendeu sobre medicamentos e venenos no tempo em que trabalhou como enfermeira voluntária, ou ainda pelas duas coisas.

Mas, e o que a própria Agatha Christie tem a dizer sobre isso? Como foi que os acontecimentos foram se desenrolando e se confluindo e direcionando sua vida para este caminho? Mais importante: como é que ela mesma vivenciou, experimentou tais acontecimentos?

Pesquisei na Autobiografia – (Quer melhor fonte de sua própria voz e de seus pensamentos do que esta?) – e vejam que interessante o que encontrei: como ela era modesta e não se aproveitava do sucesso para se vangloriar, como era por vezes sensata e, por outras, contraditória. Enfim, como Agatha Christie era uma mulher absolutamente normal: esposa, mãe, sofrida, feliz, insegura, satisfeita - e, ao mesmo tempo, uma escritora simplesmente genial!

Ordenei os fatos pela ordem cronológica conforme a própria escritora nos responde, então, a antiga pergunta - como Agatha Christie se tornou escritora de contos de crime e mistério - por ela mesma:




Agatha Christie jovem


Reminiscências e franqueza:  


(3ª Parte: Entrada na Adolescência)

Pessoalmente, eu não possuía ambição. Sabia que não era de primeira classe em coisa alguma. Gostava de praticar tênis e cricket, mas nunca fui boa jogadora. Seria muito mais interessante se pudesse dizer que sempre ambicionara vir a ser uma escritora e que estava decidida a, um dia, alcançar êxito. Honestamente, porém, essa ideia jamais me passou pela cabeça.



Agatha Christie jovem


(5ª Parte: A Guerra)
O primeiro livro:   


Foi quando trabalhava no dispensário que concebi a ideia de escrever uma história policial. Essa ideia permanecia em minha mente desde o tempo em que Madge me desafiara a escrevê-la – e meu atual trabalho parecia oferecer a oportunidade favorável. Ao contrário da enfermagem, onde sempre havia o que fazer, o serviço do dispensário tinha períodos muito atarefados e outros mais frouxos. (...) Comecei a considerar que espécie de história policial poderia escrever. Visto que estava rodeada de venenos, talvez fosse natural que selecionasse a morte por envenenamento. (...) Depois tratei da dramatis

personae. Como? Por quê? E tudo mais. (...) Naturalmente, teria que aparecer um detetive. (...) Ele teria que ter um amigo íntimo, uma espécie de ator coadjuvante – não seria tão difícil assim! Retornei a meus pensamentos a respeito dos outros personagens. Quem seria assassinado? (...) Continuei brincando com essa ideia por algum tempo. Pedacinhos dessa estória começaram a crescer. Visualizei o assassino. Teria aspecto sinistro. (...) Não era fácil encontrar tempo, mas consegui. (...) Terminei a última metade do livro, ou quase, durante os meus 15 dias de férias. Claro que foi o final. Depois tive que reescrever grande parte do livro – principalmente porque ali pelo meio a coisa se complicava demais. Enfim terminei e estava razoavelmente contente. Quer dizer, o livro estava mais ou menos conforme eu tivera a intenção de fazer. Poderia ser muito melhor, isso eu própria percebia, só que não sabia como fazer melhor, de modo que o deixei como estava. (...) Enviei-o a um editor – Hodder e Stoughton – que o devolveu. Foi uma recusa formal, sem quaisquer rodeios. Não fiquei surpreendida – não esperava êxito; n entanto, enviei-o a outro editor.



Agatha Christie e sua filha Rosalind

Após o divórcio, tornando-se profissional:    

(7ª Parte: A Terra da Alegria Perdida)

– Olhe lá, Rosalind, - dizia eu, - Não deve me interromper. Tenho um trabalho importante para fazer. Estou escrevendo outro livro. Carlo e eu estaremos ocupadas com isso por uma hora ainda. Não deve nos interromper. – Esta bem. – dizia Rosalind sombriamente e ia-se embora. Eu olhava para Carlo, sentada com o lápis pousado, e pensava, pensava, pensava, queimando os meus miolos. (...) Eu errava, gaguejava, hesitava, repetia-me. Na verdade, nem sei como consegui escrever aquele pobre livro! [O Mistério do Trem Azul] Não senti a menor alegria ao escrevê-lo, o menor entusiasmo. (...) Continuei empurrada pelo desejo, ou melhor, pela necessidade desesperada de escrever outro livro para ganhar algum dinheiro.

Foi nesse momento que deixei de ser amadora e passei a profissional. Assumi o encargo de uma profissão que consiste em escrever, mesmo quando não sentimos vontade, não gostamos do que estamos escrevendo e sentimos que não estamos escrevendo especialmente bem.


Agatha Christie

Nova vida, felicidade, sucesso:

(8ª Parte: Segunda Primavera)

Agora ia ganhando confiança em que escrevia e achava que não teria dificuldade em produzir um livro por ano e, possivelmente, também alguns contos. A parte mais agradável para mim neste tempo estava diretamente relacionada com o dinheiro. (...) Que diferença dos últimos 10 ou 20 anos da minha vida! Nunca sei quanto devo. Nunca sei quanto dinheiro possuo. (...) A minha obra começava a sair em folhetins nos EUA, e o dinheiro que recebia de lá, além de ser muito mais do que estava acostumada a receber pelos direitos autorais de folhetins na Inglaterra, era livre de impostos.



Agatha Christie e seu 2º marido Max Mallowan


Novo casamento, apego à tradição, contradições:


Acho que nessa altura eu ainda não me considerava um escritor ‘bona fide’. Escrevia, sim, livros e estórias. Os meus trabalhos eram publicados e começava a costumar-me ao fato de

poder contar com uma fonte de rendimento segura. Quando porém eu tinha que preencher algum formulário e chagava a linha que tinha que indicar a minha profissão, nunca me ocorria escrever nada que não fosse a antiga e honesta fórmula: ‘mulher casada.’ Eu era uma mulher casada, esse era o meu status e essa era a minha ocupação. Como passatempo, escrevia livros. Nunca conferi honras de ‘carreira’ ao fato de escrever livros. (...)


Gostaria de ser uma boa escritora de livros policiais, sim, e realmente, por essa altura, tinha a vaidade de pensar que era uma boa escritora de livros policias.
Agatha Christie



ESPECIAL  SETEMBRO:
MÊS AGATHA CHRISTIE


segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Palavras de Fã - Participação Especial: Jana Nascimento

ESPECIAL  SETEMBRO 2013:
 
MÊS AGATHA CHRISTIE


Agora, o Fã é quem fala!

Todo nós, que somos fãs, já experimentamos esta curiosa trajetória entre o escuro sem graça do período quando desconhecemos um artista, e o fascinante mundo multicolorido de emoções que se descortina diante de nós depois que o conhecemos. Sabendo disso, para o primeiro tema da nova seção desta Revista-blog – Palavras de Fã – convidei vários fãs de Agatha Christie a responderem em poucas palavras a seguinte pergunta: como se tornou fã de Rainha do Crime. Assim, temos a seguir um poema escrito pela querida leitora assídua da Revista-blog e grande fã: Jana Nascimento Tavares da Silva.

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Versos e Mistérios

Andando pela rua, uma biblioteca encontrei...

Gostei do que vi logo de cara!

A obra literária da Rainha do Crime.

Título? O ASSASSINATO NO CAMPO DE GOLFE.

Hoje estou totalmente “viciada”, envolvida...

A cada semana uma nova estória, uma nova vítima!

 

Conheci minha “tribo”, um grupo MUITO LEGAL...

Hoje  participo, converso, me encanto!

Reflexões, discussões de seus livros fazemos...

Interessantes curiosidades aprendemos!

Setembro é seu mês e há 123 anos atrás,

Trazida ao mundo, uma GRANDE mulher, MUITO capaz...

Inteligente, diferente...romancista policial!

E a ela, a minha homenagem...  esta AUTORA GENIAL!!!



Jana Nascimento Tavares da Silva
 
 
 

Palavras de Fã - Participação Especial: Eugênio Ferreira


ESPECIAL  SETEMBRO 2013:
 
MÊS AGATHA CHRISTIE


Agora, o Fã é quem fala!

Todo nós, que somos fãs, já experimentamos esta curiosa trajetória entre o escuro sem graça do período quando desconhecemos um artista, e o fascinante mundo multicolorido de emoções que se descortina diante de nós depois que o conhecemos. Sabendo disso, para o primeiro tema da nova seção desta Revista-blog – Palavras de Fã – convidei vários fãs de Agatha Christie a responderem em poucas palavras a seguinte pergunta: como se tornou fã de Rainha do Crime. O relato de Eugênio Ferreira, mais um leitor assíduo da Revista-blog e grande fã de Agatha Christie, é o próximo a ser publicado, a seguir.

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Quando era criança, eu não era lá um grande leitor. Não que eu fosse aquele garoto que odeia livros. Mas eu só costuma ler aquilo que era obrigado devido a escola. De um certo modo, eu associava a leitura com uma obrigação escolar, uma tarefa, um dever de casa. Assim, quando tinha algum tempo livre, eu queria mais é jogar bola, andar de bicicleta, brincar, fazer atividades ao ar livre. Foi na adolescência que eu comecei a tomar gosto pela leitura, e em especial pelos livros de detetive. Eu tive esta professora fantástica que achava que os alunos tinham que primeiro gostar de ler e depois serem forçados a ler aqueles livros que todo jovem acha chato, e que acaba lhe traumatizando desde a escola. Bem, esta professora deixou que escolhêssemos dentre uma lista de opções que só incluíam livros legais, juvenis. Dentre eles, lá estava O Assassinato no Expresso do Oriente.

A princípio, eu o achei desinteressante, aquela capa que para mim na época era sem graça. E o que era esse tal de Expresso do Oriente afinal? Expresso, que eu sabia naquela época, eram ônibus rápidos para São Paulo. Fugi daquele livro e escolhi outro. Agora nem me lembro mais qual, mas sei que não era nenhum da Agatha Christie. O que eu não sabia era que a professora tinha planos de fazer com que os livros circulassem pela turma, ou seja, mais de um aluno acabaria lendo o mesmo livro. Assim foi que o tal do Expresso caiu em minhas mão. Fazer o quê, né? Tive que ler. E foi então que a mágica aconteceu. Me apaixonei! Nunca tinha lido nada tão excitante, emocionante, de tirar o fôlego! Lembro-me que meus amigos me chamavam para jogar bola e eu fingia que estava com dor de barriga ou algo assim e que não poderia sair, mas nada: era só pra ficar lendo o maravilhoso Assassinato no Expresso do Oriente! Ah, bons tempos aqueles. Fiz meu trabalho para a escola sobre o livro, mas fiquei com muita pena quando ele acabou. Foi então que outra mágica aconteceu: não é que tinha mais livros da Agatha Christie para ler? Oba! E não apenas mais um, porém uns cinco! Ficava ansioso para chegar logo minha vez de ler o próximo. Devorei todos. Não me lembro bem agora quais eram os outros. Mas, assim que li todos os cinco livros que a professora trouxe, novamente a tristeza. Até que descobri que a biblioteca da escola tinha mais! A partir daí, virei um fã. Fui lendo todos da biblioteca da escola, a escola acabou, fui comprando outros e lendo e lendo. Nunca mais parei. Hoje, fico relendo, e muitas vezes nem me lembro mais de quem era o tal assassino. A Senhora Agatha Christie é definitivamente fantástica. Quase tão fantástica quanto a minha professorinha, aquela que me fez gostar de ler.

Eugênio Ferreira

Palavras de Fã - Cronista convidado: Tito Prates

 
 ESPECIAL  SETEMBRO 2013:
 
MÊS AGATHA CHRISTIE
 
 
 
Agora, o Fã é quem fala!

Todo nós, que somos fãs, já experimentamos esta curiosa trajetória entre o escuro sem graça do período quando desconhecemos um artista, e o fascinante mundo multicolorido de emoções que se descortina diante de nós depois que o conhecemos. Tendo isso em mente, para o primeiro tema da nova seção desta Revista-blog – Palavras de Fã – convidei vários leitores assíduos e fãs de Agatha Christie a responderem em poucas palavras a seguinte pergunta: como se tornou fã de Rainha do Crime. Minha ideia é a de dar voz àqueles que, como eu, são fascinados pela obra e pela própria Agatha Christie, e que também acompanham com entusiasmo meus modestos artigos nesta Revista-blog. Assim, como postagem inaugural, publico a seguir o relato de nosso querido Tito Prates, o orgulhoso autor de: Viagem à Terra da Rainha do Crime - Uma Aventura de Emoções na Inglaterra de Agatha Christie, recém lançado com grande sucesso.

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COMO ME TORNEIR UM FÃ (MANÍACO, OBSECADO) DE AGATHA  CHRISTIE

É uma longa história de mais de 35 anos. Começa com minha tia Olga me contando o enredo de Um Destino Ignorado. Ela era, como Agatha e sua mãe, uma excelente contadora de histórias e qualquer coisa parecia ficar mágico em sua narração. A história das pérolas fixadas com chicletes me fascinou. Eu já era fã dos livros do Ganymedes José e da coleção Vagalume, então foi um pulo para eu pedir de Natal meu primeiro Agatha Christie. Ganhei dois! A Mansão Hollow e A Extravagância do Morto. Devorei. Então, descobri uma biblioteca que tinha alguns títulos, fui lendo e pedindo nas datas comemorativas.

Lembro que os escondia dentro do espelho do armário do banheiro, que era oco, e dizia que estava estudando. Mas nunca fui mal por causa dos livros. Como os livros da biblioteca eram poucos e eu não tinha tantas ocasiões no ano para pedir, o jeito era reler de tempos em tempos. Com o primeiro estágio de menos de salário mínimo, fui para os sebos e consegui comprar quase todos os livros. Mas eles também acabaram. Reli tudo.

Nessa trajetória, me acostumei com o modo de ver o mundo dos ingleses e comecei a conhecer sua cultura e sociedade. Quando me tornei auditor, Miss Marple foi uma excelente aliada e eu conseguia descobrir coisas impossíveis usando as técnicas dela, minha favorita.

Ainda quando estava na faculdade veio a ideia de escrever um livro. Comecei uma série de resumos, anotações. Comecei a mergulhar mais fundo no universo da Duquesa da Morte. Ocorreu então uma terrível constatação. TUDO que eu pensava escrever, já estava escrito. Mudava o rumo do livro, o assunto, o enfoque e descobria que já existia um assim.

Por volta de 2004, entrei na comunidade Agatha Christie Brasil do Orkut e conheci amigos virtuais e reais. Culminou com uma brincadeira chama da BBB da ACB. Quinze ou mais membros da comunidade participavam de rodadas diárias de perguntas feitas pelos moderadores e os dois que iam pior iam para o paredão. Nunca fui.

Que emoção chegar em casa a noite e responder as perguntas. Alguns participantes se juntavam com os eliminados on line e com pesquisas eletrônicas em e-books, mas demoravam para responder e eu conseguia responder facilmente 80% sem ter que procurar nada. Quem respondia primeiro ganhava mais pontos. Acabei ganhando o BBB da ACB. Uma bobagem, mas que foi uma emoção muito grande. Na hora do prêmio, uma surpresa. Me convidaram para ser o terceiro moderador da comunidade, que com orgulho sou até hoje.

Na trajetória do BBB reli muitos livros que eu achava que não lembrava direito. Com o advento das compras internacionais, comecei a expandir a coleção de livros sobre Agatha.

Finalmente, no ano passado, nos melhores padrões de Agatha Christie, recebi uma herança! Nada muito volumoso, mas estabilizado na vida, podia gastar o dinheiro com o que eu queria. A oportunidade de viajar para Inglaterra já existia, mas ou o tempo ou o dinheiro eram curtos. Agora tinha os dois.

O mês inteiro viajando pela Inglaterra iria preencher as lacunas que somente ao vivo poderia descobrir. Fiz meu roteiro e embarquei em agosto. Torquay, Greenway, Choolsey e Wallingford, Londres, Newlands Corner, Sunningdale. Teatros, casa, lugares dos livros. Peregrinei por cada um. Resultou em um livro de aventuras de viagem, nos padrões de Desenterrando o Passado e da Autobiografia. Leves, sem pretensão, dinâmicos. Somente emoções e fatos que geraram essas emoções.

Assim nasceu meu primeiro livro sobre Agatha Christie. Viagem à Terra da Rainha do Crime - Uma Aventura de Emoções na Inglaterra de Agatha Christie.

Tito Prates