sábado, 21 de março de 2015

AGATHA CHRISTIE NAS TELAS - Pombos, Porquinhos, Gatos, Cartas e um Funeral


Que tal dar um passeio por Oxfordshire, por Hampshire, e por Hertfordshire através dos filmes da série Poirot? 


Tudo através das paisagens das belas locações utilizadas nas filmagens da série britânica de TV Poirot, exibida pela BBC de: Os Cinco Porquinhos, Cartas na Mesa, Depois do Funeral e Um Gato entre os Pombos.



Os Cinco Porquinhos 

9ª temporada – foi ao ar em 14 de dezembro de 2003




Benington Lordship, Hertfordshire
casa particular utilizada como "
'Alderbury House"


 Outra vista da casa particular utilizada como "'Alderbury House"



 Escadaria da casa particular utilizada como "'Alderbury House"


Burlington Arcade, em Londres



Cartas na Mesa 

 10ª temporada - foi ao ar em 19 de março de 2006.



"The Peacock House" ou "Casa do Pavão, em Holland Park usada como a casa de Shaitana


O "Albert Memorial", em Londres



Depois do Funeral 

 10ª temporada – foi ao ar em 26 de março de 2006.



Rotherfield Park, em Hampshire



Hampshire




Um Gato entre os Pombos  

11ª temporada - foi ao ar em 21 de setembro de 2008.



Sue Ryder Home, em Nettlebed, Oxfordshire

Usada como o exterior da Escola Meadowbank



Outra vista da Sue Ryder Home

Usada como o exterior da Escola Meadowbank



Outra vista da Sue Ryder Home

Usada como o exterior da Escola Meadowbank


sexta-feira, 13 de março de 2015

O MÉTODO CHRISTIE – A TÉCNICA DA TESTEMUNHA IGNORADA


Quando um certo personagem aponta para o criminoso 

ou para uma pista decisiva, porém, por algum motivo, 

ninguém lhe dá muita atenção. 


obs: Não contém ending spoiler! As fotos são meramente ilustrativas.


Elenco de "Encontro com a Morte" - episódio do seriado de TV "Poirot"



POR QUE NÃO ME DERAM OUVIDOS?



Para se desvendar um mistério, nada mais importante do que pistas decisivas. Melhor ainda quando alguém aponta diretamente para o criminoso, com testemunho ou argumentos incontestáveis! Pronto: enigma resolvido, caso encerrado!

Mas, com Agatha Christie as coisas não são tão simples assim. Em alguns enredos criados por Agatha Christie, existe alguém que, quando apresenta uma pista vital, contando claramente alguma coisa que viu ou ouviu ou algo que sabe sobre o assassino, ninguém lhe dá crédito.Por que estas pessoas não são levadas a sério imediatamente?

Ou, pior ainda, por que somente quando estas pessoas são silenciadas através de seu assassinato é que os outros vão dar importância àquilo que elas já haviam avisado um bom tempo antes?

Como é que detetives tão espertos, inspetores tão eficientes, personagens tão inteligentes não perceberam a importância daquele fato, seja lá o que for, que a pobre pessoa estava tentando dizer? E por que até mesmo nós, ávido leitores, somos igualmente irresponsáveis e deixamos passar tais pistas!

Resposta: porque tudo isso faz parte de mais um estratagema muito bem arquitetado pelo gênio criativo de Agatha Christie!




EU TE DISSE!  EU TE DISSE!



Elenco de "O Segredo de Chimney" - episódio do seriado de TV  "Marple"


Quando falei de algumas técnicas utilizadas por Agatha Christie para trabalhar as pistas de suas estórias investigativas no artigo Como enganar o leitor direitinho (http://agathachristieobraeautora.blogspot.com.br/2014/04/o-metodo-christie-como-enganar-o-leitor.html ), apontei, de forma generalizada, para duas técnicas:

a técnica da AGULHA NO PALHEIRO, na qual ela espalha dezenas de pistas ao longo da narrativa, algumas verdadeiras, outras falsas, algumas tolas, outras importantes, mas sem dizer qual é qual, e nos deixando perdidos no meio de um monte de indícios;

e a técnica do SHOW DE MÁGICA, no qual ela apresenta as pistas boas e verdadeiras, porém, igual as mãos ágeis de um mágico, ela desvia nossa atenção destas pistas quentes completamente.

Pois é exatamente um desdobramento da técnica do show de mágica que temos aqui.




A TESTEMUNHA IGNORADA



Elenco de "Os Trabalhos de Hércules" - episódio do seriado de TV "Poirot"


Trata-se da técnica da TESTEMUNHA IGNORADA. As pessoas simplesmente não dão bola para o que aquela testemunha diz – mesmo sendo algo de suma importância para a solução do caso! E por que os outros personagens agem assim, tão displicentemente?

Porque Agatha Christie nos engana a todos – tal qual o mágico hábil e experiente – apresentando um ou mais motivos lógicos e plausíveis para que, sim, esta tal testemunha seja ignorada. Nós, leitores ingênuos, juntamente com os tolos personagens, somos levados a não dar a devida importância a esta testemunha, ainda que, na verdade, ela seja sim, importantíssima!

E como a Rainha do Crime faz isso exatamente, ou seja, nos ilude a todos? Muito simples: ela joga com nossos preconceitos.

Exímia conhecedora da natureza humana, Agatha Christie simplesmente se utiliza de nossos preconceitos contra nós mesmos. Ela define e constrói a personalidade da tal testemunha ignorada como sendo um determinado tipo social o qual nós e os outros personagens menosprezamos ou ridicularizamos ou simplesmente não damos importância. São aqueles tipos sociais que, por um motivo ou outro, achamos que não são pessoas de confiança, ou ainda, que seus relatos não são de confiança. 

Não necessariamente são pessoas das classes inferiores! Pelo contrário: muitas vezes são das classes altas. O foco dos preconceitos é outro: recai diretamente sobre a personalidade da pessoa.
Assim, quando esta testemunha fala alguma coisa – qualquer coisa – automaticamente, em função de nossos preconceitos em desconfiar ou desacreditar nelas, nós a ignoramos. A testemunha cumpre seu papel – revela a pista. Quanto a nós, desprezamos seu relato.




AGORA É TARDE, INÊS É MORTA!



Elenco de "Nêmesis" - episodio do seriado de TV "Marple"


A famosa frase, relativa à história trágica da portuguesa Inês de Castro, não poderia ser mais adequada à técnica utilizada pela nossa britânica Agatha Christie. Alguns exemplos de casos em que ocorre a técnica da testemunha ignorada são quando a tal importante testemunha ignorada é:

1. o principal suspeito – é condenado pelas pessoas antes mesmo do julgamento e tudo o que diz é considerado mentira para se livrar da culpa.

2. o bêbado - tudo o que diz é considerado produto de carraspana

3. a pessoa tola ou esquecida - tudo o que diz é considerado bobagem ou falho.

4. a pessoa antipática, desagradável ou odiada – como ninguém gosta dela, automaticamente tudo o que ela diz é ignorado.

5. a pessoa fofoqueira – acredita-se que sempre inventa ou exagera as estórias.

6. a pessoa idosa –  é considerada boba, surda, que não enxerga bem, antiquada.

7. outros tipos aos quais as pessoas normalmente não dão ouvidos ou desprezam, agindo a partir de uma visão preconcebida sobre a relevância do que eles têm a dizer.


 Há outros tipos, é claro. Estes são apenas alguns. O fato é que, como já foi dito inúmeras vezes: 


Com Agatha Christie, nada e ninguém é o que parece!



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ATENÇÃO: a partir deste ponto: ending spoiller!!

Agora, vejamos alguns exemplos nos livros de Agatha Christie:

a) A Ratoeira – Mrs. Boyle avisa que uma pessoa não pode ser quem ele está fingindo que é, mas como ela é uma mulher antipática de quem ninguém gosta, ela é ignorada.
b) A Extravagância do Morto – um homem de aparência estranha e bêbada diz ter visto um corpo, mas, exceto por sua neta, ninguém acredita nele.
c) Convite para um Homicídio - Dora Bunner conta ao Inspetor Craddock exatamente o que uma pessoa estava fazendo antes do assassinato ser cometido, mas como ela é uma mulher tola e esquecida, ninguém dá importância ao seu relato.

d) A Casa do Penhasco - Brenda Leonides conta que um determinado personagem, que é o assassino, não está bem da cabeça, mas como ela é a principal suspeita do assassinato, ninguém lhe dá ouvidos.


sábado, 7 de março de 2015

CRIMES & CULINÁRIA – UM CREME SEM CULPA


Creme de Devonshire: uma paixão de Agatha Christie!






Quando criei esta seção da blogazine, estava pensando nos bolos, doces, pratos quentes, bebidas e todos os quitutes que aparecem na obra de Agatha Christie com uma constância tão regular quanto os próprios crimes e detetives. Além disso, vinha também demonstrando a relação entre um determinado prato, refeição ou comida qualquer com a estória.

Ocorre que a presença notável de refeições em suas estórias, das mais simples como um corriqueiro café da manhã, às mais sofisticadas, como jantares formais, além da descrição saborosa dos pratos e comidas, se devem a um fato muito simples: o de que Agatha Christie adorava comer bem!



COMA SEM MODERAÇÃO!






Sem culpa, nem pudores, Agatha Christie apreciava uma refeição bem feita ou um prato apetitoso. E o creme de Devonshire era confessadamente o seu predileto, como nos contou na Autobiografia:

Não tenho a menor dúvida: uma das coisas de que mais gostava e provavelmente sempre gostarei é creme de leite. 

Às vezes comíamos o creme de leite com fatias de pão, outras, com a colher.




MUITO MAIS AGRADÁVEL DO QUE ÓLEO DE FÍGADO DE BACALHAU





Comia creme de leite de Devonshire em grandes quantidades; era muito mais agradável do que óleo de fígado de bacalhau, costumava dizer minha mãe.

Infelizmente, hoje em dia é raro encontrar em Devon o verdadeiro creme de leite de Devonshire — pelo menos, não é como o de antigamente —, escaldado e tirado do leite às camadas, com sua nata amarela em uma tigela de porcelana.



CREME DE DEVONSHIRE

SABOREIE VOCÊ TAMBÉM!







INGREDIENTE:

3 copos de creme de leite fresco (não muito pasteurizado)

PREPARO:

Preaqueça o forno a 80°. Despeje o creme em uma assadeira e cubra com papel alumínio. Aqueça por 8 a 10 horas, até que se forme uma camada amarela escura na parte superior.
Despeje o creme em uma panela de cozimento lento (de barro, de preferência). Aqueça por mais 10 a 12 horas, até que se forme novamente uma camada amarela escura na parte superior.

 Transferira a panela com o creme para a pia e deixe até atingir a temperatura ambiente. Leve ao refrigerador durante a noite, ou pelo menos por 8 horas.

Retire a camada superior sólida e coloque em uma tigela ou um copo pequeno. Mexa bem, até que o creme atinja uma consistência lisa.


Está pronto! Coma sem moderação.



quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

AGATHA & HISTÓRIA - A Importância do Cel. Archibald Christie


Quem foi Archibald Christie, o 1º marido de Agatha Christie e pai de sua única filha, Rosalind?


Archibald Christie em 1915


Não sei quanto a vocês, mas à medida que fui conhecendo a história de Agatha Christie e gostando dela, eu fui também paralelamente desenvolvendo uma – eh, como direi – antipatia pelo Coronel Archibald Christie, seu primeiro marido. Será que sou a única?

Todavia, a verdade é que Archie Christie teve seu valor na vida de Agatha – e não estou falando apenas por ter-lhe dado o sobrenome com o qual ela se tornou mundialmente famosa, ou de ser o pai de sua única filha, Rosalind. A própria Agatha reconhece sua importância na Autobiografia. Sendo assim, por que, então, nós não podemos ser só um pouquinho compreensivos com ele?


AFINAL, QUEM FOI ARCHIBALD CHRISTIE?



Grand Hotel, em Torquay, Riviera Inglesa, onde Agatha e Archie passaram a lua de mel.


Um homem alto, de cabelos louros e encaracolados, com um nariz bastante interessante, voltado para cima, não para baixo, e uma grande dose de autoconfiança descuidada – assim descreve Agatha Christie o jovem Archibald, um oficial bem arrojado da Royal Flying Corps. Archie e Agatha se conheceram em um baile para os jovens do exército estacionados em Exeter, e, é claro, dançaram várias vezes e se divertiram muito no baile.

Eles se viram diversas vezes depois disso, e, após alguns meses, se casaram em dezembro de 1914, na véspera de Natal. Porém, pouco depois ele teve que ir para a França a serviço e Agatha ficou em sua casa em Torquay, juntando-se ao Volunteer Aid Detachment e trabalhando como voluntária de guerra no dispensário do hospital.



CASADA  E  FELIZ


Agatha Christie e sua filha Rosalind


Algum tempo depois, em 1919, nasceu Rosalind, sua filha. Agatha dizia que o marido era louco por Rosalind, e que os dois pareciam se entender melhor do que Agatha e a filha.

Por ocasião da publicação de seu segundo livro, O Inimigo Secreto, em 1922, Archie estava trabalhando em uma firma em Londres e os livros publicados por Agatha começavam a fazer sucesso. O casal vivia então uma vida boa e harmoniosa. Agatha se descreve neste período como casada e feliz.



VIAJANDO  PELO  MUNDO


Archie e Agatha em viajem pelo Havaí


Em 1924, Archie recebeu um convite de seu ex-professor, o Major Belcher, então diretor do British Empire Mission, para viajar a diversos países como seu gerente de negócios. Foi então que o casal Christie embarcou numa viagem de 10 meses pelo mundo, passando pelo Canadá, Havaí, Nova Zelândia, Austrália e África do Sul.

Foi uma das coisas mais excitantes que jamais aconteceu comigo, disse Agatha sobre esta viagem. Ela aprendeu a surfar no Havaí, vivenciou os costumes locais e exóticos da Oceania e da África, conheceu dezenas de pessoas interessantes e locais inesquecíveis. De fato, os dois se divertiram muito nesta época!



A  STYLES  PARTICULAR  DE  AGATHA



casa de Agatha e Archie - batizada como Styles


Em 1925, eles compraram sua primeira casa, a qual deram o nome de Styles House, é claro, em homenagem à casa de seu 1º livro. O que mais agradou a Archie foi que a casa localizava-se próxima a um campo de golfe, o East Croydon. 

Ambos gostavam muito de jogar golfe, e Agatha chegou a ganhar uma competição certa vez, embora se descrevesse como menos apreciadora do jogo que seu marido. Seu livro Assassinato em um Campo de Golfe, publicado em 1923, traz a seguinte dedicatória feita a Archie: Para meu marido, um grande entusiasta das estórias de detetive, e com quem eu estou em divida por tanta ajuda com conselhos e criticas.



GOLFE – JOGO  OU  RELIGIÃO?





O golfe era religiosamente praticado por Archie nos finais de semana. Agatha chegou a comentar sobre a obsessão do marido dizendo que ele a levava tão a sério que poderia ter sido sua religião. Ela começou a achar que Archie se interessava mais pelo jogo do que pela família, e a paixão do marido pelo glofe a perturbava.

O relacionamento do casal estava começando a ser abalado, e o golfe recebeu boa parcela da culpa.



DESENTENDIMENTOS,  VIAGEM, DOENÇA  EM  FAMÍLIA


Clarissa Miller, a mãe de Agatha Christie

Agatha viajou para a Córsega sem Archie a fim de pensar e de se afastar daquela atmosfera de animosidade entre o casal. Mas sua mãe, Clara, ficou gravemente doente com bronquite e Agatha voltou para ficar ao lado da mãe até seu falecimento, pouco tempo depois.

Mas Archie, como descreveu Agatha, detestava doenças, mortes e problemas, e preferiu não participar em nada da enfermidade ou dos cuidados com a sogra, deixando Agatha sozinha cuidando da mãe doente. Ele chegou a sugerir que todos viajassem para a Espanha, mas Agatha se recusou a ir e Archie ficou em Londres.



AMOR: QUE SEJA ETERNO ENQUANTO DURE


Agatha e Archibald Christie



É por causa da atitude de Archie por ocasião da doença e morte de Clara, a mãe de Agatha, reforçada pelo próprio relato de Agatha na Autobiografia, que eu – e imagino que muitas outras pessoas – antipatizamos com Archie. 

É claro que nossa antipatia é proporcional ao nosso amor por Agatha Christie. Mas o fato é que, por um bom período de tempo, Archie Christie fez nossa querida Agatha feliz. E, no final das contas, é isso que importa, não é mesmo? Afinal, ninguém é perfeito!