sábado, 16 de maio de 2015

AGATHA CHRISTIE NAS TELAS - Locações de “A CASA DO PENHASCO”


Conheça os lugares de Salcombe e de South Sands, ao  Sul de Devon, Inglaterra, 
que foram usados nas locações do episódio A Casa do Penhasco, da série Poirot



Moult House, atrás das árvores, à esquerda, utilizada como a End House do livro. 




South Sands, South Devon, onde foram filmadas as cenas finais. 




Salcombe Yacht Club, Salcombe, South Devon
utilizado como 
The Grange Nursing Home
 




Close-up da entrada do Salcombe Yacht Club, Salcombe, South Devon






Salcombe Yacht Club, Salcombe, South Devon





Prédio residencial utilizado como o Majestic Hotel





Union Street




Loja utilizada como o escritório de Charles Vyse 





The Fortescue Pub, na Union Street, utilizado como a casa de chá aonde Poirot e Hastings vão.






Estação de trem Kingswear Station, que aparece no livro com o nome de St. Looe . 




Kingswear Station






Kingswear Station




sexta-feira, 1 de maio de 2015

Curiosidades - SETE TRAÇOS da PERSONALIDADE de Agatha Christie REVELADOS por sua CALIGRAFIA


Que segredos nos desvenda a letra da Rainha do Mistério



Carta de Agatha Christie para Mr. Kittermaster em 20 de abril de 1961 


O grafologista Charles T. Richardson, membro da Associação Americana de Análise Caligráfica, fez um estudo sobre a caligrafia de Agatha Christie, o qual foi recentemente publicado no site oficial da escritora (link ao final). Com base em excertos dos livros de anotações de Agatha encontrados pelo pesquisador em Greenway, sua casa de verão, o estudo apresenta interpretações bem curiosas acerca da escritora.

Lendo o texto de Richardson, eu observei que ele destacou 7 grupos de características da personalidade de Agatha Christie, os quais organizei em itens, juntamente com os respectivos argumentos gráficos apresentados pelo estudioso para sustentar esses traços de personalidade.

Logo depois, publiquei a tradução do texto de Richardson na íntegra, e, ao final, o link para o original em inglês.



ASSIM ESCREVIA – E  ERA –  AGATHA CHRISTIE




1- Altamente criativa

Uma das coisas que mais impressionou o grafologista na caligrafia de Agatha era que, mesmo sendo rítmica, sua escrita apresentava um aspecto singular, no qual a autora inventava um código próprio, marcado pela economia de espaço.

Assim, às vezes ela omitia algumas letras, semelhante ao processo de taquigrafia, como a letra I na palavra Nilo, porém, sem comprometer a compreensão da palavra.

Outras vezes, Agatha escrevia, ou resumia, 2 ou 3 letras em um só golpe de caneta, as quais ficavam não exatamente emboladas, mas desenhadas de um modo muito particular.




2- Amigável e otimista


Além do desenho bastante criativo das letras, o texto de Agatha era bem organizado, apresentando um aspecto animado, com letras saltitantes, os quais revelam uma pessoa amigável e otimista.




3- Uma boa ouvinte e econômica no uso das palavras


Tais características são reveladas, conforme explica Richardson, através dos muitos espaços vazios existentes em todo o corpo de escrita na caligrafia de Agatha, concomitante à forte pressão de sua letra na direção para baixo, tornando a base das palavras mais marcadas.




4- Intuitiva e espontânea


A própria Agatha revelou em sua Autobiografia que as ideias para suas estórias surgiam de modo inesperado e espontâneo. Para Richardson, isto fica bem claro através da ausência de traços conjuntivos em sua escrita, resultando em frequentes pausas em suas palavras.




5- Pessoa que pensava antes de agir


Agatha podia ser muito intuitiva e ter ideias espontaneamente, mas não necessariamente agia de modo destemperado. O fato de não ter sido uma pessoa impulsiva é revelado, conforme explica Richardson, através da verticalidade de sua letra. Segundo o estudioso, este é um aspecto marcante das pessoas que sempre avaliam a situação e pensam antes de agir.



 6- Preferência pela solidão


Agatha tinha o desejo de ser deixada sozinha em seu mundo imaginário, onde poderia dar vazão às suas emoções inconscientes. Foi que interpretou Richardson através do texto rodeado por margens amplas da escritora, dos grandes espaçamentos ente as palavras, e em especial, na forma como as suas letras se dissolviam em cadeias.




7- Incrivelmente imaginativa e inteligente


Não há dúvidas quanto à refinada inteligência da Rainha do Crime. E tal característica se sobressaía em sua caligrafia, conforme analisou Richardson, através dos topos pontiagudos de suas letras N e M minúsculas, bem como na forma como sua escrita fluía em movimentos contínuos, de sua mente para a caneta, e desta para o papel.



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Texto de Charles T. Richardson



excerto do caderno de anotações de Agatha Christie


No final de agosto de 2014, minha esposa e eu tivemos o prazer de conhecer Greenway, a casa de verão de Agatha Christie. Greenway, carinhosamente definida por Agatha Christie como "o lugar mais adorável do mundo", certamente merece o título. Localizada no alto das margens do rio Dart, perto de Dartmouth, Inglaterra, os jardins provém um charmoso passeio, especialmente para os aficionados dos romances de mistério da mestra. Muitas de seus enredos se enraizaram em ou ao redor de Greenway. Comprado por Christie e seu segundo marido em 1938, a mansão e seus 278 acres foram presenteados a National Trust do Reino Unido por sua filha e neto em 2000


Enquanto visitava a mansão, fiquei emocionado ao encontrar cópias requintados da caligrafia de Agatha Christie. Elas estão em exposição para que todos possam admirar, em réplicas de seus cadernos, colocados em um dos quartos do andar superior. Você está autorizado a pegar os cadernos e tirar fotos em close-up. Claro que, sendo cópias, não se pode discernir a pressão da escrita diretamente, mas todos os outros pré-requisitos necessários para uma análise de caligrafia são discerníveis.


Agatha teve muitas das suas idéias de forma espontânea. Isto não é nenhuma surpresa quando se olha para as pausas frequentes em suas palavras. A ausência de traços conjuntivo é uma característica típica do pensador intuitivo. Quando a inspiração batia, ela anotava seus pensamentos em um caderno à mão. Christie escreveu em sua autobiografia 1977:


"Os enredos vêm a mim em momentos ímpares: quando eu estou andando por uma rua, ou observando de uma loja de chapeis com particular interesse, de repente, uma excelente ideia vem em minha cabeça, e eu penso: Bem, esta seria uma maneira elegante de encobrir o crime de modo que ninguém iria desconfiar. É claro que todas as idéias práticas ainda devem ser trabalhados, e as pessoas tem que rastejar lentamente em minha consciência, mas eu anoto minha idéia esplêndida no meu livro de exercícios.”


Usando amostras de caligrafia de cadernos de Christie, vejamos o que a "Rainha do Crime" nos diz sobre si mesma.
Modelos de cartas de Christie apresentam todas as características de uma pessoa altamente inteligente. Observe os topos pontiagudos de suas letras M e N minúsculas, com ênfase na utilização da parte superior. É verdade que ela escreve com pressa e com muitas letras quase inteligíveis, porém, através de um exame atento, encontramos formações de letras altamente criativas em um corpo de escrita organizada. Escrita que tem a linha de base animada, saltitante, de um indivíduo amigável e otimista.


Margens, espaçamento entre as palavras e arranjo geral do texto são de notórios na caligrafia de Christie. Note como Agatha deixa consistentemente até mesmo grandes espaços entre as palavras. Ela deve ter preferiu trabalhar sozinho, e julgando pela verticalidade de sua letra vemos que ela não era uma pessoa impulsiva. Ela pensava antes de agir. Muitos espaços vazios existem em todo o roteiro indicando que o dono da caligrafia era um bom ouvinte e, provavelmente, parcimonioso em seu uso das palavras. Perceba a forte pressão de sua letra para baixo, mais evidente na terceira amostra ampliada de sua escrita.


O que mais me impressiona na caligrafia rítmica de Agatha Christie é a maneira criativa com a qual ela desenha suas letras. Assim, muitas de suas letras economizam em espaço. Às vezes, as letras inteiras são omitidos, mas ainda se pode entender o que ela está dizendo. A omissão da letra I na palavra Nilo na foto é um bom exemplo.  Às vezes, um golpe de caneta resulta na formação de duas, até três letras, ainda assim, ela se transmite sua mensagem. Todo o tempo, a escrita de Christie flui de sua mente para a caneta e dela para o papel, com um movimento contínuo. Verdadeiramente, o sinal de uma pessoa incrivelmente imaginativa altamente inteligente.


E, no entanto, a caligrafia de Agatha Christie tem um ar enigmático. Há uma certa qualidade distante em sua caligrafia. Texto rodeado por amplas margens, o grande espaçamento entre as palavras, as variações na intensidade da pressão da escrita, letras que se dissolvem em cadeias, todos estes aspectos nos dizem que a escritora tem emoções inconsistentes e deseja ser deixada sozinha. Sozinha em seu mundo imaginário, um mundo que ela o convida a entrar através  suas histórias, mas um mundo, misterioso demais para os seus leitores entenderem algum dia.



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Crédito das fotos: The Christie Archive




sábado, 25 de abril de 2015

MISS MARPLE: CHÁ & BOLINHOS - VIVA A BISBILHOTICE!


Algumas das técnicas investigativas de Miss Marple


Joan Hickson como Miss Marple



BISBILHOTAR = INVESTIGAR?


Bisbilhotar é uma palavra feia. Mas o que fazem os grandes detetives, os renomados investigadores se não, quando diante de um caso, bisbilhotar por ai? Ah, não! – retrucariam alguns. O que eles fazem é investigar. Hum, entendo. Mas, qual é mesmo a diferença?

A aparentemente inocente, frágil e doce velhinha criada por Agatha Christie, Miss Jane Marple, não é uma policial ou detetive. No entanto, investigou e solucionou diversos crimes misteriosos, os quais nem mesmo a policia especializada conseguiu desvendar. E como é que ela consegue descobrir os fatos, obter as pistas e os dados necessários para resolver o mistério?
A própria Miss Marple nos dá uma pista em Convite para um homicídio:


Miss Marple esboçou um sorriso.
— O problema — disse ela — é que todas as mulheres de idade são bisbilhoteiras. Teria sido muito esquisito, e mais fácil de provocar desconfianças, se eu não metesse um pouco o nariz onde não sou chamada.
Perguntas sobre amigos comuns em outros países, e se a pessoa se lembra de fulano e de beltrano, e quem foi mesmo que se casou com a filha de lady qualquer coisa? E tudo isso ajuda, não?
— Ajuda? — perguntou o inspetor, sentindo-se não muito inteligente.
—Sim, ajuda a descobrir se as pessoas são o que dizem que são —explicou Miss Marple.


Qual é a resposta então? Bisbilhotando!

É assim que a senhora idosa faz suas investigações. Portanto, quero elevar aqui a palavra bisbilhotar a um nível mais alto e digno: o de sinônimo de investigar, quando se trata de uma pessoa amadora (não policial ou não detetive) com um intuito para o bem comum, no caso, solucionar um crime.

E quais seriam as técnicas que usa para bisbilhotar – quero dizer, para investigar? Selecionei algumas delas neste artigo.




A TÉCNICA ESPECIALIZADA DE MISS MARPLE



Os sobrolhos de Conway Jefferson tornaram-se ainda mais pesados. Murmurou incredulamente:
      — Intuição feminina — disse com ceticismo.
      — Não, ela diz que não; técnica especializada é a sua pretensão. 

(Um Corpo na Biblioteca)



1- INSTRUMENTO PRINCIPAL: BINÓCULOS



Angela Lansbury como Miss Marple

Praticamente todos os detetives famosos da literatura utilizam algum instrumento para auxiliá-lo durante suas investigações. O que dizer de Sherlock Holmes sem sua lupa? Ou de Hercule Poirot sem suas magníficas células cinzentas?

Miss Marple não poderia ficar de fora desse roll. E sem dúvidas seu instrumento marcante de auxilio investigativo são os seus famosos binóculos. Sob o pretexto de observar pássaros, a Miss Marple das primeiras estórias criadas por Agatha Christie estava sempre observando a vizinhança com um par de poderosos binóculos. E quantas informações úteis obteve através deles!

Miss Marple sempre vê tudo.  A jardinagem é um bom disfarce, e o hábito de observar passarinhos com binóculos de longo alcance sempre pode ser útil. 

(Assassinato na Casa do Pastor)


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De seu jardim, vantajosamente localizado, tão bem situado que permitia ver tudo que se passava em St. Mary Mead, muito pouco havia escapado  ao  seu  olho  observador! 
E com a ajuda do binóculo de pássaros (interessar-se por passarinhos era tão útil!) tinha conseguido ver — aqui ela deixou que seus pensamentos voltassem ao passado —  Ann  Protheroe com um  vestido de verão indo para  o  jardim  da  paróquia. 

(A Maldição do Espelho)




2- BISBILHOTICE IN LOCO:



Julia McKenzie como Miss Marple


Nem tudo dá para se avistar com binóculos. E a cena do crime constitui um elemento essencial para qualquer investigação – ou bisbilhotice, no caso de Miss Marple. Mas, não sendo ela uma autoridade policial, como poderá a velhinha chegar até lá? Ah, Miss Marple sempre arruma um jeito para tanto!

Seja se metendo diretamente na cena do crime, seja se metendo na casa dos suspeitos ou dos envolvidos, Miss Marple não apenas consegue bisbilhotar como os policiais, como ainda leva uma vantagem sobre eles. Ocorre que os policiais precisam se identificar. E a velhinha pode andar por lá, falar com pessoas, fazer perguntas, xeretar lugares sem levantar muitas suspeitas!

Abruptamente, ele disse:
— A senhora não deveria estar aqui.

As agulhas pararam de girar por um instante. Os olhos plácidos e límpidos de Miss Marple fixaram-se nele, pensativos.

— Eu sei o que o senhor quer dizer — disse ela. — O senhor é um rapaz muito sensato. Mas não há problema algum. O pai de Bunch (foi o pastor de nossa paróquia, um homem muito erudito) e a sua mãe (uma mulher realmente impressionante de muita força espiritual) são velhos amigos meus. E a coisa mais natural do mundo que eu, estando em Medenham, venha passar uns dias com ela. 

(Convite para um Homicídio)


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— Pode deixar que eu descubro — disse, gentilmente, Miss Marple.
— Pelo amor de Deus, Miss Marple, não vá...
— Vai ser muito simples, inspetor, não precisa se preocupar. E não vai chamar a atenção de ninguém, o senhor sabe, já que não será oficial. Se houver alguma coisa de errado com eles, não seria bom alertá-los, não é mesmo? 

(Convite para um Homicídio)




3- A ARTE DA REPRESENTAÇÃO PARA DISFARCES:



Geraldine McEwan como Miss Marple



A) SE FAZER DE VELHOTA MEIO TOLA E DESASTRADA:


Uma senhora idosa de ar distraído, com o pensamento distante em memórias remotas, esquecida e andando com certa dificuldade devido à idade avançada, de mãos trêmulas, totalmente desastrada: que suspeitas poderia um ser tão frágil e inocente levantar?

Miss Marple se utiliza da representação de uma senhora idosa típica, com suas dificuldades em função da idade, para bisbilhotar mais à vontade.

Deixando deliberadamente as luvas sobre a mesa, levantou-se e foi até  à  caixa,  tomando  o  caminho  que  passava  perto  da  mesa  de  Lady Sedgwick.  Depois  de  pagar  a  conta.  "descobriu"  a  falta  das  luvas  e voltou  para  apanhá-las,  deixando,  por  infelicidade,  cair  a  bolsa  no caminho de retorno. A bolsa abriu-se e espalhou pelo chão um monte de  bugigangas.  

Uma  garçonete  apressou-se  a  ajudá-la  a  apanhar  os objetos  caídos,  e  Miss  Marple  viu-se  forçada  a  simular  grandes tremuras, derrubando moedas e chaves pela segunda vez.

Não conseguiu muito com esses subterfúgios, mas não foram eles inteiramente inúteis; e o interessante é que nenhum dos dois alvos da sua  curiosidade  dedicou  sequer  um  olhar  à  desastrada  velhota  que estava sempre a derrubar coisas. 

(O Caso do Hotel Bertram)




B) FINGIR-SE DE FRÁGIL E MEDROSA


Uma velhota gentil, doce, e um pouco medrosa. Que suspeitas poderia um ser tão frágil e inocente levantar?

A velhinha revelou-se encantadora, com seus modos gentis e sua amena bisbilhotice. Logo de saída, mostrou que era uma dessas velhas senhoras sempre preocupadas com ladrões. (Convite para um Homicídio).




C) AGIR COMO UMA TÍPICA VELHOTA


Uma velhinha de cabelos brancos e bochechas rosadas, embrulhada em manto de lã bem fofoinho, ou em um casaquinho totalmente fora de moda, indo tomar um chá para se aquecer: não é uma coisinha adorável? E absolutamente normal, nada suspeito? Miss Marple aproveita toda e qualquer oportunidade para agir como uma simpática e inocente velhinha, acima de qualquer suspeita, sempre visando a obter alguma informação importante, isto é, bisbilhotar!

Miss Marple avistou, com o canto do olho, a srta. Dora Bunner entrando no Bluebird. Imediatamente, decidiu que nada seria melhor para cortar o vento frio da manhã do que uma boa xícara de café. 

(Convite para um Homicídio).




4- A ARTE DA LINGUÍSTICA PARA BISBILHOTICE:



Geraldine McEwan como Miss Marple




A) PUXAR UM ASSUNTO INOCENTE



Partindo da premissa de que toda velhota tende a ser demasiado curiosa a respeito da vida dos outros,  Miss Marple se aproveita para levantar assuntos e fazer perguntas sobre as coisas mais pessoais ou improváveis, do modo mais inofensivo possível, sem com isso despertar a desconfiança das pessoas.

— A senhora fez aquilo de propósito? — perguntou Bunch, enquanto ela e Miss Marple voltavam para casa. — Puxar o assunto das fotografias?

— Ora, meu bem, não deixa de ser interessante saber que a srta. Blacklock não conhecia qualquer dos seus dois jovens parentes de vista... É... acho que o inspetor Craddock vai gostar de saber disso. 

(Convite para um Homicídio).




B) ANUIÇÃO E EMPATIA



Sempre muito doce e simpática, Miss Marple procura anuir empaticamente para uma pessoa na qual percebe o desejo de falar. Concordando com a pessoa e deixando-a bem à vontade, ela solta a língua, e acaba revelando fatos valiosos para as investigações de Miss Marple.

Miss Marple demorou a encontrar um comentário adequado. — Deve ser mesmo um problema e tanto para a senhora — disse, esforçando-se para ser simpática. 
(Convite para um Homicídio)


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Ah, os bons tempos, há tantos anos... Ela era tão bonita, e gostava tanto da vida... uma coisa tão triste... Sem ter a menor ideia do que seria tão triste assim, Miss Marple também suspirou e sacudiu a cabeça.
— A vida é muito dura — murmurou. 

(Convite para um Homicídio)




5- BISBILHOTICE JUNTO ÀS AUTORIDADES




Geraldine McEwan como Miss Marple


Nem sempre, ou até quase sempre, as autoridades policiais não se mostram muito simpáticos às bisbilhotices de Miss Marple. Às vezes, chegam mesmo a se aborrecer com a constante presença da velhinha no local onde o crime ocorreu, bisbilhotando aqui e ali, seja porque se preocupam com a senhora idosa, seja porque se incomodam mesmo com a presença daquela que eles julgam não passar de uma velhota enxerida.

Isto no caso da autoridade policial em questão não conhecer a verdadeira Miss Marple e suas façanhas. No entanto, há autoidades que tiveram a oportunidade de lidar com Miss Marple e, portanto, sabem muito bem do que a velhinha é capaz, respeitando-a imensamente! Em qualquer um dos casos, a esperta velhinha sempre arranja um jeito de conseguir das autoridades exatamente aquilo que deseja saber.


— Mas, como posso eu saber o que aconteceu? Li o que saiu nos jornais... mas era tão pouco... Posso fazer conjeturas, mas não tenho informações completas.

— George — disse sir Henry —, seria muito irregular se permitíssemos a Miss Marple ler o relatório das entrevistas feitas por Craddock com o pessoal de Chipping Cleghorn?

— Talvez seja irregular — disse Rydesdale —, mas não foi sendo muito ortodoxo que cheguei aonde estou. Ela pode ler tudo. Estou curioso para ouvir a sua opinião. Miss Marple estava encabulada. 

(Convite para um Homicídio)


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Através desses estratagemas nada convencionais, Miss Marple consegue realizar suas investigações e obter os dados necessários para desvendar os mistérios nos quais se envolve. Muitos deles são pura arte de teatralização, como sabemos. Porem, no fundo, Miss Marple possui mesmo um pouquinho de tudo isso, algumas coisas mais, algumas outras, menos, pois, no final das contas, Miss Marple é de fato uma velhota solteirona!