quinta-feira, 4 de junho de 2015

Método Christie - Da SALA TRANCADA rumo à GRANDE REVELAÇÃO FINAL


Dois recursos cênicos que se tornaram grandes marcas dos livros de Agatha Christie



Cena do episódio "Cartas na Mesa" da série britânica Poirot


NÃO CONTÉM ENDING SPOILER!! Fique tranquilo.


Agatha Christie, sem sombras de dúvidas, possuía uma grande veia teatral. Seu talento para compor personagens, escrever diálogos e construir um cenário inteiro usando apenas as palavras era notável! A despeito de, neste último caso, ela ter confessado na Autobiografia como achava cansativas as descrições.

Em vista disso, não é de se surpreender que Agatha Christie tenha aplicado com muita eficiência dois tradicionais recursos cênicos em seus livros: o recurso de um cenário: Cenário da Sala Trancada; e o recurso de uma cena: a Cena da Grande Revelação Final.

Usando e abusando deles com toda a maestria, a escritora os adaptou para suas estórias de modo a criar um clima ainda maior de suspense e mistério, através do qual nos conquistou a todos.




O  CENÁRIO  DA  SALA  TRANCADA:


CONFINAMENTO   &   SUSPENSE




Cena do episódio "A extravagância do morto" do seriado britânico Poirot


Também conhecido como o cenário da Comunidade Fechada, o cenário da Sala Trancada consiste naquelas situações em que um determinado número de pessoas se vê confinada em um determinado local, a princípio, de área determinada. O local pode ser um trem, um avião, ou a mais comum: uma mansão no interior, distante do centro urbano.

Geralmente, a quantidade de indivíduos é limitada, da mesma forma que o confinamento no local tem caráter impositivo. Ou seja, alguma coisa acontece de modo que fica difícil ou às vezes impossível para que novas pessoas se juntem ao grupo ou para que algum elemento do grupo fuja ou escape. Muitas vezes, é uma autoridade policial impõe tal confinamento ou circunstâncias metrológicas, como uma nevasca, ou ainda o fato de o local ser uma ilha de difícil acesso que impõem o confinamento.

Através do recurso do Cenário da Sala Trancada, Agatha Christie alcança alguns pontos importantes na elaboração de uma trama de estória de mistério e investigação, realçando alguns elementos vitais para o enredo e para todo o clima de suspense.

Em primeiro lugar, a quantidade de suspeitos torna-se limitada, de modo que surge a possibilidade de se elaborar a trama, criando um enredo mais complexo o qual, mesmo assim, pode deixar todas as pontas amarradas no final.

Em segundo lugar, da mesma forma com o que ocorre com o enredo, os personagens podem ser mais bem trabalhados, assim como suas falas e relações dentro da trama.

Em terceiro lugar, o leitor tem a chance de brincar ele próprio de detetive, o que contribuiu e muito para o sucesso da escritora.




A CENA FINAL  DA  GRANDE REVELAÇÃO:


IMPACTANTE   &   ALIVIADORA



Cena do filme Assassinato no Expresso do Oriente


Então, quando nós, simples leitores, já estamos tontos em meio a tantas pistas, verdadeiras e falsas, e a tantos suspeitos e acontecimentos, Hercule Poirot reúne todos os envolvidos em uma sala, e, com ordem e método, vai compartilhando com os ouvintes preocupados e espantados o desenrolar de seus pensamentos, do processo de sua investigação e de suas deduções, até que, quando já estamos aflitos e insuportavelmente ansiosos, por último e nem um minuto antes disso, ele finalmente nos revela quem é o criminoso!

Impactante e repleta de expectativas por parte do leitor, a Cena da Grande Revelação Final, também conhecida pelo termo literário em francês Dénouement Final, funciona como uma catarse, ou seja, como o alivio satisfatória final após um longo e tortuoso processo quase sofrível de suspeitas e investigações e muitas emoções. 

Não se trata de uma exclusividade das estórias de Poirot. Em outras estórias, como as com Miss Marple, Agatha Christie também cria uma cena final semelhante, com a presença de todos os envolvidos na trama, onde a grande revelação enfim será feita.

Através do recurso  da Cena da Grande Revelação Final, Agatha Christie eleva a níveis exponenciais o clima de suspense nas estórias. Além disso, ela envolve os leitores no jogo de investigação, pois eles sabem que possuem um prazo determinado para desvendar o mistério: até antes do Final Dénouement quando toda a verdade surgirá. E nunca antes, como o leitor pode estar seguro.



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CONCLUSÃO: 


UMA  TRAJETÓRIA  LONGA E TORTUOSA ...


MAS  SIMPLESMENTE  A  ADORAMOS!



Cena do episódio "Mistério no Caribe" do seriado britânico Marple


A trajetória de uma estória de mistério e investigação de Agatha Christie segue, portanto, um percurso determinado: ele se inicia na sala trancada, pouco antes do crime ser cometido, e segue por um caminho tortuoso de investigações, pistas falsas, surpresas e enganos em direção à grande revelação final, após do que, finalmente, todas as portas daquela sala imaginária serão abertas para a luz da verdade dos fatos entrar.


Pronto! Estamos preparados para o próximo livro.



quinta-feira, 28 de maio de 2015

RÁPIDOS FATOS - OS NÚMEROS DAS 1ªs EDIÇÕES


Quantos exemplares foram vendidos só na 1ª edição de... ?






O interessante site HPC (link ao final) tem se ocupado de cálculos e quantificações diversas relativas à Agatha Christie e a sua obra. Achei bem curiosa a listagem que eles apresentaram da quantidade de livros vendidos somente na 1ª edição de algumas das mais famosas obras de Agatha Christie:


* 2.000 – O Misterioso Caso de Styles (1920)

* 5.000 – O Assassinato de Roger Ackroyd (1926)

* 10.000 – Tragédia em Três Atos (1935)

* 20.000 – Os Cinco Porquinhos (1943)

* 30.000 – Um Brinde de Cianureto (1945)

* 40.000 – A Mansão Hollow (1946)

* 50.000 – Convite para um Homicídio (1950)

* 150.000 – Cai o Pano (1975)






Uma curiosidade sobre Assassinato no Expresso do Oriente: foi publicado pela 1ª vez em 1934, mas, somente no ano de 1974, quando o ator Albert Finney fez o papel de Hercule Poirot na famosa adaptação para o cinema, o livro vendeu 3.000 exemplares!


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sábado, 23 de maio de 2015

Notícias & Novidades - O Rio de Janeiro recebe Tito Prates


TARDE DE AUTÓGRAFOS: 

VIAGEM À TERRA DA RAINHA DO CRIME






ATENÇÃO CARIOCAS!



Imperdível! Nesta quarta feira 27 de maio, os cariocas terão a honra de receber nosso querido Tito Prates para uma tarde de autógrafos de seu livro Viagem à Terra da Rainha do Crime.  

Será às 19 horas na Blooks Livraria (Praia de Botafogo nº 316), dentro do Espaço Itaú de Cinema.


Encontrarei vocês lá! 





sábado, 16 de maio de 2015

AGATHA CHRISTIE NAS TELAS - Locações de “A CASA DO PENHASCO”


Conheça os lugares de Salcombe e de South Sands, ao  Sul de Devon, Inglaterra, 
que foram usados nas locações do episódio A Casa do Penhasco, da série Poirot



Moult House, atrás das árvores, à esquerda, utilizada como a End House do livro. 




South Sands, South Devon, onde foram filmadas as cenas finais. 




Salcombe Yacht Club, Salcombe, South Devon
utilizado como 
The Grange Nursing Home
 




Close-up da entrada do Salcombe Yacht Club, Salcombe, South Devon






Salcombe Yacht Club, Salcombe, South Devon





Prédio residencial utilizado como o Majestic Hotel





Union Street




Loja utilizada como o escritório de Charles Vyse 





The Fortescue Pub, na Union Street, utilizado como a casa de chá aonde Poirot e Hastings vão.






Estação de trem Kingswear Station, que aparece no livro com o nome de St. Looe . 




Kingswear Station






Kingswear Station




sexta-feira, 1 de maio de 2015

Curiosidades - SETE TRAÇOS da PERSONALIDADE de Agatha Christie REVELADOS por sua CALIGRAFIA


Que segredos nos desvenda a letra da Rainha do Mistério



Carta de Agatha Christie para Mr. Kittermaster em 20 de abril de 1961 


O grafologista Charles T. Richardson, membro da Associação Americana de Análise Caligráfica, fez um estudo sobre a caligrafia de Agatha Christie, o qual foi recentemente publicado no site oficial da escritora (link ao final). Com base em excertos dos livros de anotações de Agatha encontrados pelo pesquisador em Greenway, sua casa de verão, o estudo apresenta interpretações bem curiosas acerca da escritora.

Lendo o texto de Richardson, eu observei que ele destacou 7 grupos de características da personalidade de Agatha Christie, os quais organizei em itens, juntamente com os respectivos argumentos gráficos apresentados pelo estudioso para sustentar esses traços de personalidade.

Logo depois, publiquei a tradução do texto de Richardson na íntegra, e, ao final, o link para o original em inglês.



ASSIM ESCREVIA – E  ERA –  AGATHA CHRISTIE




1- Altamente criativa

Uma das coisas que mais impressionou o grafologista na caligrafia de Agatha era que, mesmo sendo rítmica, sua escrita apresentava um aspecto singular, no qual a autora inventava um código próprio, marcado pela economia de espaço.

Assim, às vezes ela omitia algumas letras, semelhante ao processo de taquigrafia, como a letra I na palavra Nilo, porém, sem comprometer a compreensão da palavra.

Outras vezes, Agatha escrevia, ou resumia, 2 ou 3 letras em um só golpe de caneta, as quais ficavam não exatamente emboladas, mas desenhadas de um modo muito particular.




2- Amigável e otimista


Além do desenho bastante criativo das letras, o texto de Agatha era bem organizado, apresentando um aspecto animado, com letras saltitantes, os quais revelam uma pessoa amigável e otimista.




3- Uma boa ouvinte e econômica no uso das palavras


Tais características são reveladas, conforme explica Richardson, através dos muitos espaços vazios existentes em todo o corpo de escrita na caligrafia de Agatha, concomitante à forte pressão de sua letra na direção para baixo, tornando a base das palavras mais marcadas.




4- Intuitiva e espontânea


A própria Agatha revelou em sua Autobiografia que as ideias para suas estórias surgiam de modo inesperado e espontâneo. Para Richardson, isto fica bem claro através da ausência de traços conjuntivos em sua escrita, resultando em frequentes pausas em suas palavras.




5- Pessoa que pensava antes de agir


Agatha podia ser muito intuitiva e ter ideias espontaneamente, mas não necessariamente agia de modo destemperado. O fato de não ter sido uma pessoa impulsiva é revelado, conforme explica Richardson, através da verticalidade de sua letra. Segundo o estudioso, este é um aspecto marcante das pessoas que sempre avaliam a situação e pensam antes de agir.



 6- Preferência pela solidão


Agatha tinha o desejo de ser deixada sozinha em seu mundo imaginário, onde poderia dar vazão às suas emoções inconscientes. Foi que interpretou Richardson através do texto rodeado por margens amplas da escritora, dos grandes espaçamentos ente as palavras, e em especial, na forma como as suas letras se dissolviam em cadeias.




7- Incrivelmente imaginativa e inteligente


Não há dúvidas quanto à refinada inteligência da Rainha do Crime. E tal característica se sobressaía em sua caligrafia, conforme analisou Richardson, através dos topos pontiagudos de suas letras N e M minúsculas, bem como na forma como sua escrita fluía em movimentos contínuos, de sua mente para a caneta, e desta para o papel.



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Texto de Charles T. Richardson



excerto do caderno de anotações de Agatha Christie


No final de agosto de 2014, minha esposa e eu tivemos o prazer de conhecer Greenway, a casa de verão de Agatha Christie. Greenway, carinhosamente definida por Agatha Christie como "o lugar mais adorável do mundo", certamente merece o título. Localizada no alto das margens do rio Dart, perto de Dartmouth, Inglaterra, os jardins provém um charmoso passeio, especialmente para os aficionados dos romances de mistério da mestra. Muitas de seus enredos se enraizaram em ou ao redor de Greenway. Comprado por Christie e seu segundo marido em 1938, a mansão e seus 278 acres foram presenteados a National Trust do Reino Unido por sua filha e neto em 2000


Enquanto visitava a mansão, fiquei emocionado ao encontrar cópias requintados da caligrafia de Agatha Christie. Elas estão em exposição para que todos possam admirar, em réplicas de seus cadernos, colocados em um dos quartos do andar superior. Você está autorizado a pegar os cadernos e tirar fotos em close-up. Claro que, sendo cópias, não se pode discernir a pressão da escrita diretamente, mas todos os outros pré-requisitos necessários para uma análise de caligrafia são discerníveis.


Agatha teve muitas das suas idéias de forma espontânea. Isto não é nenhuma surpresa quando se olha para as pausas frequentes em suas palavras. A ausência de traços conjuntivo é uma característica típica do pensador intuitivo. Quando a inspiração batia, ela anotava seus pensamentos em um caderno à mão. Christie escreveu em sua autobiografia 1977:


"Os enredos vêm a mim em momentos ímpares: quando eu estou andando por uma rua, ou observando de uma loja de chapeis com particular interesse, de repente, uma excelente ideia vem em minha cabeça, e eu penso: Bem, esta seria uma maneira elegante de encobrir o crime de modo que ninguém iria desconfiar. É claro que todas as idéias práticas ainda devem ser trabalhados, e as pessoas tem que rastejar lentamente em minha consciência, mas eu anoto minha idéia esplêndida no meu livro de exercícios.”


Usando amostras de caligrafia de cadernos de Christie, vejamos o que a "Rainha do Crime" nos diz sobre si mesma.
Modelos de cartas de Christie apresentam todas as características de uma pessoa altamente inteligente. Observe os topos pontiagudos de suas letras M e N minúsculas, com ênfase na utilização da parte superior. É verdade que ela escreve com pressa e com muitas letras quase inteligíveis, porém, através de um exame atento, encontramos formações de letras altamente criativas em um corpo de escrita organizada. Escrita que tem a linha de base animada, saltitante, de um indivíduo amigável e otimista.


Margens, espaçamento entre as palavras e arranjo geral do texto são de notórios na caligrafia de Christie. Note como Agatha deixa consistentemente até mesmo grandes espaços entre as palavras. Ela deve ter preferiu trabalhar sozinho, e julgando pela verticalidade de sua letra vemos que ela não era uma pessoa impulsiva. Ela pensava antes de agir. Muitos espaços vazios existem em todo o roteiro indicando que o dono da caligrafia era um bom ouvinte e, provavelmente, parcimonioso em seu uso das palavras. Perceba a forte pressão de sua letra para baixo, mais evidente na terceira amostra ampliada de sua escrita.


O que mais me impressiona na caligrafia rítmica de Agatha Christie é a maneira criativa com a qual ela desenha suas letras. Assim, muitas de suas letras economizam em espaço. Às vezes, as letras inteiras são omitidos, mas ainda se pode entender o que ela está dizendo. A omissão da letra I na palavra Nilo na foto é um bom exemplo.  Às vezes, um golpe de caneta resulta na formação de duas, até três letras, ainda assim, ela se transmite sua mensagem. Todo o tempo, a escrita de Christie flui de sua mente para a caneta e dela para o papel, com um movimento contínuo. Verdadeiramente, o sinal de uma pessoa incrivelmente imaginativa altamente inteligente.


E, no entanto, a caligrafia de Agatha Christie tem um ar enigmático. Há uma certa qualidade distante em sua caligrafia. Texto rodeado por amplas margens, o grande espaçamento entre as palavras, as variações na intensidade da pressão da escrita, letras que se dissolvem em cadeias, todos estes aspectos nos dizem que a escritora tem emoções inconsistentes e deseja ser deixada sozinha. Sozinha em seu mundo imaginário, um mundo que ela o convida a entrar através  suas histórias, mas um mundo, misterioso demais para os seus leitores entenderem algum dia.



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Crédito das fotos: The Christie Archive