sábado, 11 de julho de 2015

Curiosidades - OS MÉDICOS DE AGATHA CHRISTIE


RECEITA para um romance policial: 

o DETETIVE, o CRIMINOSO, a VÍTIMA. 

E QUEM está faltado? O MÉDICO, é claro!



Gary Evnas - Dr. George Armstrong de E Não Sobrou Nenhum


Quase tão certo como haverá pelo menos um detetive, um policial, uma vítima e um criminoso nas estórias escritas por Agatha Christie é que também haverá ao menos um médico.

O personagem tornou-se absolutamente recorrente nos enredos bolados pela Rainha do Crime, e não apenas para definir a causa mortis ou emitir o atestado de óbito. Nada disso! O médico com frequência participa ativamente da estória. Eles são também o personagem principal, a vítima, o narrador – ou até mesmo o próprio assassino!

Eis alguns dos mais interessantes profissionais da área médica criados por Agatha Christie, os quais classifiquei de forma bem genérica:

1- OS MÉDICOS:

- AMIGOS OU COLEGAS DE OUTRO PERSONAGEM
- PERSONAGEM PRINCIPAL OU IMPORTANTE
- SIMPLESMENTE MÉDICO

2- AS ENFERMEIRAS

3- OS PSIQUIATRAS

4- OUTROS PROFISSIONAIS DA ÁREA MÉDICA

Neste 1º artigo, apresente somente o nº 1: os médicos. No próximo artigo, apresentarei os demais.

Esta classificação genérica foi proposital: para que não haja aqui nenhum ending spoiler.

Portanto, entre eles, quais serão vítimas e quais serão criminosos?



OS MÉDICOS DE AGATHA CHRISTIE



PERSONAGEM  PRINCIPAL OU IMPORTANTE



A Mão Misteriosa - Dr. Owen Griffith

Um homem tímido e melancólico, o Dr. Griffith era irmão de Aimee. Ele estava tratando a Srª Symmington de um problema de nervos quando esta recebeu uma carta anônima, a qual acabou levando-a a morte. O Dr. Griffith apaixona-se por Joanna Burton, com quem acaba se casando.




Simon Shepherd - Dr. Rendell 


A Morte da Srª McGinty - Dr. Rendell

Casado com Shelagh, o médico morava em Crossways em Broadhinny, e empregou a Srª McGinty para serviços domésticos. A Srª Oliver suspeitava que o Dr. Rendell era o assassino porque ele fazia o tipo.


A Terceira Moça - Dr. John Stillingfleet

Dr. Stillingfleet pediu ajuda a Poirot com o caso do suicídio de Benedict Farley. Mais tarde, salvou a vida de Norma Restarick e acabou se casando com ela, mudando-se para a Austrália para começar uma nova vida.


Assassinato no Expresso do Oriente - Dr. Constantine

O médico de origem grega dividia a cabine do trem com Monsieur Bouc, o representante da linha férrea. Foi ele quem examinou o corpo de Ratchett e avaliou que a morte ocorrera entre meia noite e duas horas da manhã. Ele auxiliou Poirot nas investigações do assassinato e ficava constantemente impressionado com o intelecto do detetive.


Cartas na Mesa - Dr. Geoffrey Roberts

De olhos pequenos e uma certa calvície, Dr. Roberts era um individuo de meia idade, alegre e agradável. Era conhecido de Shaitana e por isso foi um dos convidados para o jantar e o jogo de bridge.


É Fácil Matar:

 - Dr. Geoffrey Thomas

Mesmo sendo muito competente, Dr. Thomas sempre foi ofuscado por seu colega, o Dr. Humbleby. Mas, depois que Humblely morreu, Dr. Thomas se tornou mais confiante. Todavia, Amy Gibbs morreu após ter tomado veneno por engano em vez do xarope receitado pelo Dr. Thomas...


- Dr. John Ward Humbleby
Mais uma vítima em Wychwood, tendo morrido de septicemia devido a um ferimento infeccionado, o Dr. Humbleby deixa seu consultório para seu jovem sócio Dr. Thomas.


O Caso das Amoras Pretas:

- Dr. George Lorrimer

Sobrinho de Henry e de Anthony Gascoigne, o médico de Wimbledon estava jogando bridge quando Henry caiu das escadas e quebrou o pescoço.
Observação: em algumas publicações seu sobrenome consta como Ramsey.


- Dr. MacAndrew
O escocês alto e de cabelos vermelhos ficou aturdido sem entender porque Poirot acreditava que Henry Gascoigne, que havia caído das escadas e quebrado o pescoço, tinha sido assassinado.


E Não Sobrou Nenhum -  Dr. Edward George Armstrong

Um dos dez convidados pelo Sr. Owen para a lha na costa de Devon, o Dr. Armstrong era um médico bem sucedido, que se considerava sortudo e habilidoso.


O Caso do Hotel Bertram - Dr. Stokes

Um médico que perdeu sua licença por fazer abortos ilegais, ele foi rude com a polícia quando questionado sobre a morte do padre Pennyfather.


O Cavalo Amarelo - Dr. Jim Corrigan

O Dr. Corrigan era amigo de Mark Easterbrook, o narrador dos fatos envolvendo a estalagem Cavalo Amarelo. O médico se interessava pela mente criminosa e sua teoria era a de que uma deficiência glandular seria a causa para que os seres humanos se tornassem criminosos.


O Estranho Caso de Sir Arthur Carmichael - Dr. Settle

Percebendo algo de muito sinistro na atmosfera e profundamente assustado com as assombrações na casa dos Carmichael e com o estado mental de seu proprietário, Dr. Settle pede auxilio de seu amigo, Dr. Carstairs, uma autoridade em doenças mentais.


Os Crimes do Monograma - Dr. Ambrose Flowerday

Dr. Flowerday mudou-se para Great Holling após ter trabalhado nos trópicos quando jovem. Defendia o vigário e sua esposa das terríveis mentiras sobre eles e por isso tornou-se muito impopular entre os habitantes locais.


Os Trabalhos de Hercule - Dr. Burton

O médico se perguntava por que motivo a mãe de Poirot lhe havia escolhido um nome como Hercule. Certa vez lhe disse: O que você faz não são  Os Trabalhos de Hercules. O que você faz são os trabalhos do amor.


Os Treze Problemas - Dr. Lloyd

Após ter viajado por diferentes lugares, Dr. Lloyd foi clinicar em St.Mary Mead, a vila onde mora Miss Marple. Um homem de cabelos grisalhos, Dr. Lloyd era um dos convidados que participava do Clube de Terças à Noite na mansão dos Bantry, em Gossington Hall.


Manx Gold - Dr. Fayll

Dr. Fayll, um homem alto, loiro e de rosto avermelhado, era primo de Myles Mylecharane. Ele participou da competição junto com os descendentes restantes de Mylecharane na caçada ao tesouro na Ilha de Man.


Morte na Mesopotâmia - Dr. Giles Reilly

Enfermeira Amy Leatheran disse do Dr. Reilley: De alguma forma, quando ele lhe pede para fazer uma coisa você não consegue se recusar. Foi o médico que, juntamente com a polícia, solicitou a ajuda de Poirot na investigação do assassinato de Mrs. Leidner. Dr. Reilley havia conseguido a posição para Enfermeira Leatheran como enfermeira de Louise Leidner no Iraque. Mais tarde, ele persuadiu a enfermeira a escrever os eventos ocorridos em Tell Yarimjah.



Jack Warden - Dr. Bessner  (Morte no Nilo - 1978)


Morte no Nilo - Dr. Carl Bessner

O médico alemão, que passava férias no Karnak, examinou o ferimento a bala em Simon Doyle e mais tarde seu corpo, além de ter tido sua proposta de casamento aceita por Cornelia Ruth Robson.


Passageiro para Frankfurt - Dr. Donaldson

Lady Matilda Checheaton contou ao seu médico, o Dr. Donaldson, um homem especialmente gentil com seus pacientes mais velhos, que ela não queria ficar com uma aparência de doente e acamada. O médico a encorajou a viajar para a Alemanha a fim de visitar sua antiga colega de escola Charlotte von Waldsausen.


Poirot perde uma cliente

- Dr. Jacob Tanios

O médico grego era marido de Bella e sofria preconceitos por parte de Miss Emily Arundell simplesmente porque era estrangeiro, o que era um problema, já que pretendiam pedir à Tia Emily ajuda financeira para os filhos.

- Dr. Rex Donaldson

O jovem médico de pouco dinheiro mas muita inteligência e ambição era o noivo de Theresa Arundell. O Cap. Hastings achava suas maneiras secas e precisas e Poirot achava que ele era um pouco desumano. Ele se tornou o parceiro do Dr. Grainger em Market Basing e casou-se com Theresa.


Seguindo a Correnteza - Dr. Lionel Cloade

É a esposa do Dr. Cloade, o médico de modos bruscos e impaciente, a Srª Kathie Cloade que procurou Hercule Poirot, solicitando sua ajuda para localizar uma pessoa desaparecida.


Um Crime Adormecido - Dr. James Kennedy

Miss Marple achava que ele envelheceu prematuramente. Dr. Kennedy tinha sido o médico local em Dillmouth antes de se aposentar, e era o meio irmão da desaparecida Helen Spenlove Kennedy Halliday.


Um Pressentimento Funesto - Dr. Murray

Médico da Casa de Repouso Sunny Ridge, foi ele que contou a Tommy Baresford sobre sua suspeita acerca da morte de Mrs. Moody por overdose de morfina.


Uma Dose Mortal - Dr. Reilly

Sócio do Dr. Morley, o Dr. Reilly era um homem jovem e alto, de voz atraente. Mas a irmã de Morley disse que Reilly sempre bebia, tinha acessos de raiva e sempre discutia por causa de política. Para Poirot e Japp, Rilley representava um dilema, uma vez que não tinha motivos para matar seu parceiro.



AMIGOS OU COLEGAS DE ALGUM OUTRO PERSONAGEM



A Aventura do Nobre Italiano - Dr. Hawker

Um homem gentil e franco, o Dr. Hawker era vizinho de Poirot e Hastings e tinha especial admiração pela genialidade do detetive.


Cem Gramas de Centeio - Dr. Bernsdorff

Dr. Bernsdorf era um perito no Hospital St. Jude e manteve uma relação de amizade com o Inspetor Neele após um caso anterior de envenenamento. Na estória, atribuiu a morte de Rex Fortescue a um alcaloide encontrado em um determinado fruto.


Paul McGann - Dr. Peter Lord


Cipreste Triste - Dr. Peter Lord

Conhecido do Dr. Stillingfleet, que muito elogiava Poirot, o médico resolveu chamar o famoso detetive após a morte da milionária Srª Welman. Apaixonado por Elinor Carlisle, Dr. Lord precisava de ajuda para livrar sua amada da acusação de assassinato.


O Assassinato de Roger Ackroyd - Dr. James Sheppard

Amigo de Roger Ackroyd e irmão de Caroline Sheppard, Dr. Sheppard  era o médico da Vila de King's Abbot, que gostava de jogar Mah Jong nas horas vagas e tinha como vizinho ninguém mais, ninguém menos do que Hercule Poirot.


Por que não pediram a Evans?

1- Dr. George Arbuthnot

O jovem médico era amigo de Lady Frankie Derwent, a quem ajuda a entrar na casa dos Bassington-ffrench dizendo que ela teve uma concussão em um falso acidente de carro.


2-  Dr. Thomas

Dr. Thomas era amigo de Bobby Jones e gostava de jogar golfe. Foram os dois que encontraram próximo ao campo de golfe um homem caído no fundo de um precipício, com as costas quebradas.




SIMPLESMENTE MÉDICO

 (HUM... SERÁ MESMO?)



A Maldição do Espelho - Dr. Maurice Gilchrist

O Dr. Gilchrist, quando questionado pelo Inspetor Chefe Craddock sobre o que poderia estar atormentando a Srª Gregg, simplesmente respondeu: seus nervos. Médico da famosa atriz de cinema Marina Gregg, Dr. Gilchrist esteve sempre ao seu lado, nos bons e maus momentos.


A Morte de Lord Edgware  - Dr. Heath

Descrito pelo Cap. Hastings como um homem idoso e exigente, o Dr. Heath ficou bastante empolgado em conhecer pessoalmente Hercule Poirot. O médico foi chamado por Alice Bernnet para examinar o corpo de sua colega de quarto Carlotta Adams.


Cipreste Triste - Dr. Alan Garcia

O Dr. Garcia foi testemunha especializada no julgamento de Elinor Carlisle, descreveu com riqueza de temos técnicos o conteúdo do estomago da falecida Mary Gerrard, e declarou que não havia evidências de como a morfina foi administrada à vítima.


Depois do Funeral: 

1- Dr. Proctor

Com a característica de esfregar o nariz e andar pelo cômodo enquanto estava pensando, Dr. Proctor foi o médico convocado para analisar o caso do envenenamento de  Miss Gilchrist.


2- Dr. Larraby

Dr. Larraby foi o médico que atendeu Helen Abernethie após ela ter levado uma pancada na cabeça. Quando Mr. Entwhistle lhe perguntou se seu paciente, Richard Abernethie, havia cometido suicídio, o médico usualmente bem humorado ficou cada vez mais vermelho...


Hora Zero – Dr. Lazenby

Um homem de meia idade, Dr. Lazenby, médico legista do departamento de polícia de Gull's Point, fica surpreso com o fato de o assassino ter deixado impressões digitais na arma do crime, um taco de golfe.


Morte nas Nuvens - Dr. James Whistler

Um homenzinho magro, como é descrito, Dr. Whistler trabalhava na área de Croydon e foi convocado para examinar o corpo de Madame Giselle no aeroporto local, atestando parada cardíaca como causa mortis.


Morte na Praia - Dr. Neasdon

Trabalhando com o Inspetor Colgate no caso de Arlena Marshall, Dr. Neasdon examinou o corpo da atriz, declarando que ela foi estrangulada na praia cerca de uma hora e meia antes de sua descoberta.




T.P. McKenna - Dr. Graham



Mistério no Caribe:

- Dr. Graham

Após ter exercido sua profissão durante muito tempo nas Índias
Ocidentais, reside agora no hotel Golden Palm, conversa bastante com Miss Marple e dá início à investigação do assassinato do Major Palgrove.


- Dr. Robertson

Médico da polícia das Índias Ocidentais, Dr. Robertson trabalhava com o Inspetor Weston da Força Policial de de St. Honore e foi o médico chamado após a morte do Major Palgrave, não vendo nada de estranho em sua morte.


Mistério em Sittaford - Dr. Warren

Vizinho à delegacia de polícia, Dr. Warren foi chamado para examinar o corpo de Trevelyan, atestando como hora do óbito 17:25 – hora exata que os espíritos disseram que ele morreria.


Noite Sem Fim - Dr. Shaw

Um médico idoso e gentil, Dr. Shaw dirigia um velho Landrover. Visitou Ellie quando ela torceu o tornozelo e mais tarde examinou seu corpo quando caiu do cavalo.


Os Crimes ABC -  Dr. Kerr

Definido pelo Cap. Hastings como um camarada competente, Dr. Kerr era o médico da polícia de Andover e examinou o corpo da Srª Ascher.


O Mistério de Market Basing - Dr. Giles

Dr. Giles era o médico local de Market Basing, um homem alto, de rosto inteligente e vestido em roupas esportivas de tweed. Achava ser impossível que Walter Protheroe tivesse atirado em si mesmo.


O Mistério dos Sete Relógios - Dr. Cassell

O médico de meia idade recebeu a visita de Bundle (Lady Eileen Brent), a filha de Lord Caterham of Chimneys, porque ela teria atropelado um homem com seu carro.


O Misterioso Caso de Styles - Dr. Wilkins

Descrito pelo Capitão Hastings como um homem pequeno e corpulento, Dr. Wilkins era o médico de Emily Inglethorp, a proprietária de Styles Court, e foi chamado quando ela morreu.


O Segredo de Chimneys / O Mistério dos Sete Relógios - Dr. Cartwright

O jovem médico magro e enérgico trabalhava em Market Basing, motivo pelo qual aparece nas duas estórias, ambas ligadas a mansão Chimneys.


Poirot perde uma cliente - Dr. Grainger

Médico de Emily Arundell e sócio do Dr. Rex Donaldson, o Dr. Grainger morava há 40 anos em Market Basing e já passava dos sessenta anos de idade, motivo pelo qual seu olfato já estava deficiente e foi incapaz de reconhecer o odor de alho no hálito da morta.


Testemunha Ocular do Crime - Dr. Quimper

Médico da família Crackenthorpe, o Dr. Quimper ajudou a polícia com informações importantes quando dois membros da família foram envenenados.


Tragédia de Natal (conto) – Dr. Coles

Dr. Coles era o médico que atendeu Miss Marple no Keston Spa Hydro quando ela lá esteve para tratar do reumatismo. Ele lhe contou sobre a trágica morte de uma camareira que trabalhava no hotel, o que ajudou Miss Marple a resolver um assassinato no hotel.


Um Destino Ignorado - Dr. Schwartz

A médica fez um exame minucioso em Mrs. Craven antes de envia-la ao Dr. Rubec.



sábado, 4 de julho de 2015

MISS MARPLE: CHÁ & BOLINHOS - MISS MARPLE TAMBÉM TEM UM PASSADO!


A menina Jane Marple, sua mãe, sua avó, seus tios e 

até mesmo um certo namoradinho...


Julia McKenzie como Miss Marple


Não adianta negar: todos temos um passado. E não é que nossa velhinha detetive, solteirona e religiosa, também o tem? Bem, Miss Marple sempre foi muito correta, e não há – até onde se sabe – nada demais em seu passado. Mas, como já a conhecemos bem velhinha, é sempre bom saber um pouco mais sobre sua vida pregressa.

Os dados não são muitos e estão espalhados pela obra de Agatha Christie, um pedacinho aqui, outro ali. Porém, é em O Caso do Hotel  Bertram que encontramos a maioria das informações sobre o passado de Miss Marple, uma vez que ela mesma se deixou levar pelos devaneios e pelas lembranças de uma outra vez, há décadas, quando lá se hospedou.


No artigo que publiquei há pouco tempo – O que mais sabemos da vida de Miss Marple? (http://agathachristieobraeautora.blogspot.com.br/2015/02/cha-e-bolinhos-com-miss-marple-o-que.html ), mencionei fatos sobre seus estudos e as matérias que cursou, suas colegas de escola, sua viagem pela Europa quando mocinha, visitando a França, e a forma como foi educada – de acordo com a época, todavia, antiquada para os dias atuais – pelo que uma moça de família não trabalhava e crescia para formar família.

No artigo de hoje, apresentarei outros dados sobre o passado de Miss Marple, conforme suas lembranças e em suas próprias palavras. Afinal, quem melhor do que ela mesma para nos contar, do seu jeitinho todo fofo e especial, sobre as pessoas e as coisas?



LEMBRANÇAS  DO  TIO  THOMAS   E  DA  TIA   HELEN



Joan Hickson como Miss Marple


—  Hotel  Bertram's?  O  nome  era  vagamente  familiar.  As  palavras acorreram em tropel a Miss Marple:
—  Eu  me  hospedei  lá  uma  vez  —  quando  tinha  quatorze  anos. Com meu tio e minha tia, tio Thomas, que era então Cônego de Ely. E nunca me esqueci de lá.

(...) Em  tempos  passados,  Army  &  Stores  era  o  ponto  predileto  da  tia de Miss Marple.  Claro que atualmente já não era a mesma coisa. Miss Marple  relembrou  tia  Helen  a  procurar  o  seu  caixeiro  predileto  na seção de secos e molhados, confortavelmente instalada numa cadeira, com a touca na cabeça e o que chamava de manto de "popelina preta" nos  ombros.  (O Caso do Hotel  Bertram)



MISS MARPLE JÁ FOI SÓ UMA MENININHA - 

DÁ  PRA  IMAGINAR?!



Margareth Rutherford como Miss Marple


A menina  Jane  impacientava-se  um  pouco  e  então  recebia  ordem  de  ir olhar a seção de artigos de vidros, para se distrair.
(...) E  depois  de passar  uma  agradável  manhã,  tia  Helen  dizia,  no  estilo  brincalhão daqueles  tempos:  "Será  que  a  menininha  quer  almoçar?"  Tomavam então o elevador para o quarto andar, almoçavam, terminando sempre por  um  sorvete  de  morango.  Por  fim,  compravam  meia  libra de chocolates ao creme de café, e iam para um matinê numa carruagem, daquelas de quatro rodas. (O Caso do Hotel  Bertram)



O  NAMORADINHO  DE  MISS  MARPLE


Geraldine McEwan como Miss Marple


Miss Marple gostava  de  ficar  sentada,  a  recordar. Singularmente,  aquilo  a  fazia reviver — Jane Marple, aquela garota em branco e rosa, tão inquieta... tão  tolinha,  em  muitas  coisas... E  quem  seria  aquele  rapaz  muito pouco  recomendável  que  se  chamava... 

Oh,  Senhor,  não  conseguia lembrar-se  do  nome  dele...  E,  muito  sensatamente,  a  mãe  da  garota resolvera  cortar  aquela  amizade  em  botão.  Anos  depois  ela  o encontrara  —  e,  com  efeito,  tivera  uma  impressão  horrível.  Mas  na ocasião adormecera chorando durante pelo menos uma semana! (O Caso do Hotel  Bertram)



AS TOUCAS DA AVÓ DE MISS MARPLE 

– E A FAMOSA MENÇÃO A SUA MÃE


Angela Lansbury como Miss Marple


—  Lembro-me  —  disse  Miss  Marple  afastando-se  do  seu  tema
principal  de  maneira característica — lembro-me de uma viagem que fiz a Paris, com minha mãe e minha avó, e de que fomos tomar chá no Hotel  Elysée.  E minha avó, olhando em volta, disse de  repente: "Clara,  creio  que  sou  a  única  mulher  aqui  que  está  de  touca!" E era mesmo! 

Quando chegamos  em  casa,  ela  embrulhou  todas  as  suas
toucas e suas capas enfeitadas de contas, e mandou tudo...
— Para um bazar de caridade? — perguntou Papai com simpatia.
—  Não.  Ninguém  quereria  aquilo  nem  num  bazar  de  caridade.

Mandou  tudo  para  uma  companhia  teatral,  onde  o  presente  foi apreciadíssimo. (O Caso do Hotel  Bertram)



sábado, 27 de junho de 2015

CRIMES & CULINARIA - Um Brinde de Cianureto!



Uma bela ópera e um doce de peras delicioso - e, por favor, 

sem gotas de cianureto! 




Poires Hélène, sobremesa tradicional de pera.


Quando se fala do livro Um Brinde de Cianureto em um artigo de temática culinária, imediatamente se pensa em drinques e bebidas. É certo que há na estória escrita por Agatha Christie toda uma investigação girando em torno do champanhe e do vinho servidos à mesa pouco antes dos assassinatos. Além disso, mais de uma vez há uma menção ao hábito que tinha George Barton de tomar um Porto antes de dormir.


Kemp — Agora, quanto à noite passada. Fale-me tudo sobre o
champanha.
Garçom Giuseppe — Era Cliquot 1928 — um vinho muito bom e caro. (trecho de Um Brinde de Cianureto)


Porém, o que pode até passar despercebido a alguns leitores mais apressados é que ambos os crimes ocorreram durante o jantar em um restaurante de alta classe em Londres. Mas não se tratava de um jantar qualquer.

Com um cardápio sofisticado, recheado de iguarias, as bebidas funcionavam apenas como pano de fundo para o jantar refinado, mesmo levando-se em consideração as dificuldades em consequência da guerra. Até os dias de hoje, pratos como ostras e consomê e patês e molhos feitos a base de fígado de aves, permanecem no roll dos pratos elegantes.


— O menu, para Mr. Barton.
Veio o cardápio. Ostras, Consomê, Linguado à Luxembourg,
Galo Silvestre, Poires Hélène, Fígado de Galinha com Bacon. (trecho de Um Brinde de Cianureto)


Diante dessa sofisticada variedade do menu, eu resolvi aqui, pela primeira vez, me dedicar a uma sobremesa: a deliciosa Poires Hélène, ou Peras Helena.




HELENE: 

AQUELA  DO  DOCE  

X

AQUELA  DA  OPERETA



Cartaz de encenação de La Belle Hélène


Geralmente vê-se uma confusão com o nome do prato: em alguns cardápios a sobremesa aparece com o nome de Poires Belle Hélène.

Na verdade, La Belle Helene é o nome da opereta de Offenbach – Jacques Offenbach, compositor e violoncelista, nascido em Colônia, Alemanha, em 1819.  

A opereta de Offenbach, por sua vez, inspirou o nome da sobremesa, que teria sido criada pelo confeiteiro Auguste Escoffier em 1864, e batizada de Poires Hélène em homenagem à personagem da ópera.




VAMOS  À  RECEITA!






Compota de pera (para 6 porções)

900g de peras
150g de açúcar cristal
suco de limão
600 ml de água

Descasque e corte pela metade as peras, removendo o meio (a parte dos caroços). Coloque a água, o açúcar e o suco de limão para ferver. Após, despeje metades das peras, ferva novamente e deixe cozinhar por cerca de 5 minutos até ficarem macias.


Gelado de baunilha

4 gemas grandes
2 colheres de chá de mistura de pudim de baunilha
50 g de açúcar
270 g de creme de leite fresco
250 g de creme de leite
1 colher de chá de extrato de baunilha

Esquente o creme de leite em uma panela pequena, tomando cuidado para que ele não começa a ferver. Enquanto isso, misture as gemas, o extrato de baunilha, a mistura de pudim de baunilha e o açúcar em uma tigela até ficar homogêneo.

Em seguida, despeje o creme quente e continue mexendo. Agora despeje de volta na panela e deixe em fogo médio, mexendo sempre até engrossar e quase ferver.

Coloque a mistura em uma vasilha apoiada em água com gelo, e agite ocasionalmente até que a mistura tenha esfriado completamente. Agora misture o creme de leite fresco e depois coloque tudo isso na geladeira.


Calda de chocolate

1 / 4 l de creme de leite
150g de chocolate (min 70% de teor de cacau)
100g de chocolate ao leite

Esquente o creme de leite, quebre o chocolate em pedaços pequenos e misture até dissolver completamente. Esquente novamente.


Montagem






Coloque a pera em uma tigela de sobremesa, sirva o sorvete no centro e regue com o molho de chocolate quente. Um pouco de chantili não fará mal algum! Você pode decorar com amêndoas e sirva imediatamente!


sábado, 13 de junho de 2015

PERSONAGENS que também AMAMOS - O AMOR de TOMMY & TUPPENCE


COMO  NASCEU  O  AMOR  DOS   ÚNICOS  DETETIVES   CASADOS  – E APAIXONADOS – DE  AGATHA  CHISTIE




Especial:  DIA dos NAMORADOS



Francesca Annis como Tuppence e James Warwick como Tommy


Eu simplesmente adoro Tommy e Tuppence! As estórias são leves, despretensiosas, repletas de aventuras – e de romance! Elas estão recheadas de sutis declarações de amor de um pelo outro, daqueles breves momentos de cumplicidade e admiração mútua que somente os casais que se amam de verdade podem compartilhar.


Tommy e Tuppence são os únicos detetives criados por Agatha Christie que são casados, e, ainda por cima, trabalham juntos. Os leitores vão acompanhando o desenrolar de suas vidas, o amadurecimento, os filhos e novas responsabilidades, todavia, ainda muito apaixonados um pelo outro tanto quanto pela aventura e pelo mistério. E tudo em apenas 5 romances e uma coleção de contos: O Inimigo Secreto; N ou M?; Um Pressentimento Funesto; Portal do Destino; Sócios no Crime.


No artigo Tommy e Tuppence: opostos que se atraem (http://agathachristieobraeautora.blogspot.com.br/2013/07/last-but-not-least-os-outros-que-tambem.html ), apontei para diferença na personalidade dos dois: ela, dinâmica e ousada, ele, racional e prudente, mas que, justamente por isso, se complementam e formam um par romântico adorável.


Mas eles não começam sua estória já casados: primeiro se reencontram, passam um tempo juntos, se apaixonam e decidem se casar. Sendo assim, como tudo começou?




COMO   SE   CONHECERAM   E  SE  APAIXONARAM 



Jessica Raine como Tuppence e David Walliams como Tommy


Tommy e Tuppence haviam se conhecido quando criança, mas perderam o contato completamente durante o conflito mundial. A jovem Prudence Cowley, conhecida como Tuppence, abandonou os encantos (e o lufa-lufa) da vida doméstica no começo da guerra e veio para Londres, onde se empregou num hospital para oficiais, como ela mesma relata em O Inimigo Secreto. Já o jovem Thomas Baresford, ou Tommy, seguia a carreira militar como tenente, tendo viajado para a França, para a Mesopotâmia e para o Egito, até ser dispensado.


Um belo dia, pouco depois do fim da 1ª guerra mundial, na estação do metrô na Dover Street, Tuppence dá de cara com seu velho amigo Tommy:


-Tommy!
-Tuppence!
Os dois jovens cumprimentaram-se com efusão e, por instantes, interromperam o trânsito à saída da estação de Dover Street.
-Há séculos que não a vejo - prosseguiu o rapaz.


Era uma época difícil, como sempre é após o fim de uma guerra, e os empregos estavam difíceis, como nos conta o próprio Tommy:


E durante dez longos e fatigantes meses tenho andado à cata de emprego! Não há empregos de espécie alguma! E mesmo que houvesse não seriam para mim. Que valho eu? Que entendo eu de negócios? Nada!


Para Tuppence, as coisas também não estavam fáceis depois do da guerra:


Já resisti o mais que pude. Bati a muitas portas. Respondi a anúncios. Tentei toda a sorte de expedientes. Poupei, economizei, comprimi. De nada valeu. Vou regressar à casa do meu pai.


Ela tem então a ideia de juntos fundarem uma firma de investigações, ou algo parecido, denominada Jovens Aventureiros Ltda. O inusitado anúncio de seu novo negócio dizia:


Prontos para fazer qualquer coisa. Ir a qualquer lugar. Nenhuma oferta razoável será recusada.


Os dois acabam se envolvendo em uma perigosa e misteriosa trama de espionagem, correndo riscos juntos e tudo o mais.




CASAMENTO:   UM   DIVERTIMENTO  ESPANTOSAMENTE   BOM!



Sarah Punshon como Tuppence e Johann Hari como Tommy


Começam como bons amigos que, embora com personalidades bem distintas, possuem interesses em comum. E, o melhor: bons amigos que muito se admiram mutuamente. Então, é claro que se apaixonam!


Querida! - Exclamou Tommy, apertando-a nos braços. (...) Você não pode deixar de casar comigo.


O casamento foi só uma questão de tempo. E até sobre esse assunto, Agatha nos brinda com certo humor e leveza através do diálogo entre Tuppence e Tommy:


(Tuppence) - Dão ao casamento toda a sorte de denominações: um abrigo, um refúgio, uma coroa de glória, um estado de servidão e inúmeras outras. Mas sabe o que penso que seja o casamento ?
- O quê?
- Que é um divertimento!
- E um divertimento espantosamente bom! disse Tommy





E  VIVERAM  FELIZES  E  SE  DIVERTINDO  PARA  SEMPRE!



Jessica Raine como Tuppence e David Walliams como Tommy


As aventuras de Tommy e Tuppence não se destinam apenas aos leitores que buscam pura e simplesmente estórias de mistério e investigação. São para aqueles leitores que, além das estórias de mistério, também nutrem o gosto pelas estórias divertidas e com uma pitada de romance.



Afinal, bem que se pode afirmar que Tommy e Tuppence  se casaram e viveram felizes para sempre – como deve ser ao final de toda estória essencialmente romântica.