terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

CRIMES & CULINÁRIA - A Escritora - Detetive - Chef de Cusine


MISTÉRIOS, TEMPEROS
e AROMAS

Que os livros de Agatha Christie estão recheados de crimes, mistérios e suspenses, disto todos nós já sabemos. Mas há um outro recheio bem diferente que também contribui para que a obra de nossa Rainha do Mistério se torne ainda mais deliciosa!


As Aventuras do Pudim de Natal
Estou falando dos mais variados quitutes – doces, bolos, salgados, bebidas – que aparecem constantemente em sua obra e ajudam a apimentar os crimes a serem resolvidos.

Sejam eles amargos como um assassinato, agridoces como a vingança, salgados como o roubo de joias, azedos como um suicídio,  gelados como pistas falsas, ou ainda doces como a descoberta de uma pessoa desaparecida, quentes e borbulhantes como um romance proibido, cremosos como a surpresa por uma herança desconhecida, ou refrescantes como o desvendar de um intrincado mistério, os quitutes presentes nos jantares, almoços, lanches, temperam as estórias de Agatha Christie e lhe deixam com um gostinho todo especial 

 
ASSASSINATOS  &  QUITUTES
 
Em vista disso e inspirada em comentários e perguntas curiosas por parte dos leitores e fãs de Agatha Christie, decidi me dedicar a explorar a culinária em sua obra. Assim, inauguro hoje uma nova seção neste blog: Crimes & Culinária.
Um Brinde de Cianureto

Notem que eu não estou me referindo necessariamente àquelas obras em que um determinado prato ou alimento assume tal importância na estória que chega até a dar título ao próprio livro, como é o caso de Um brinde de Cianureto (1945) (cujo título eu prefiro no original: Sparkling Cyanide, algo como Cianureto Resplandecente); Cem Gramas de Centeio (1953); ou A Aventura do Pudim de Natal (1960).

Tão pouco estou focando apenas as aventuras com Miss Marple, em cujas estórias sempre há uma pausa para o chá com bolinhos, a ponto de eu já ter até publicado um artigo com todo o ritual inglês para o chá da tarde, da louça e talheres aos doces e quitutes (veja neste blog em: http://www.agathachristieobraeautora.blogspot.com.br/2013/07/cha-e-bolinhos-com-miss-marple-hum-ate.html); ou aquelas com Poirot, um comensal metódico, como não poderia deixar de ser, porém de gosto refinado. Na verdade, estou falando da obra completa.

Já de início, percebo que praticamente em todos os livros de Agatha Christie há alguma referência a drinks, cafés da manhã, chás e acompanhamentos, sobremesas, enfim, alimentos os mais diversos. Nem sempre estas refeições ou pratos são necessariamente elaborados ou elegantes; muitas vezes trata-se apenas de uma descrição de cena do cotidiano, mas no qual as personagens estão comendo ou bebendo alguma coisa – coisa esta que é devidamente descrita. Não precisei pesquisar muito para preparar o próximo artigo, com fatos curiosos sobre a obra, fotos apetitosas e a receita, é claro, do prato em questão. Já está forno. Será servido ainda esta semana...

 
ENTRE  SUSPENSES & SABORES
 
Agatha Christie na cozinha


Dame Agatha era ela mesma uma apreciadora da boa e saborosa comida. Sendo de uma família aristocrata, ela só foi aprender a cozinhar depois que se casou. Conforme publiquei anteriormente, ao comentar o livro de Stefania Barzini, A Cozinha das Escritoras , da Ed. Benvirá,
Agatha Christie gostava de pratos simples, e tinha um apreço especial por pães e omeletes. Quando criança, então, adorava doces e guloseimas, como podemos conferir facilmente nas muitas descrições detalhadas e às vezes divertidas das comidas ao longo de toda a Autobiografia.

Este prazer em degustar um bom saboroso prato ficou evidente em sua obra, mesmo embora os temas culinários estejam bem distantes dos temas de crimes e mistério. Mas, nossa Rainha, conseguiu o que parecia impossível: reuni-los no mesmo lugar, de forma harmônica e perfeitamente deliciosa, como só uma verdadeira Escritora - Detetive - Chef de Cusine poderia fazer!

Espero que apreciem os próximos posts sobre as comidas e bebidas na obra de Agatha Christie tanto quanto eu.
Bom apetite!

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

LIVROS & ENTRELINHAS - Afinal, quem é Nemesis?


 Nêmesis às vezes tarda,
mas não falha!

Prezada Miss Marple, quando a senhora ler estas linhas, estarei morto e enterrado.

Assim inicia Mr. Jason Rafiel sua carta para Jane Marple, logo no Prelídio de Nemesis (1971), obra de Agatha Christie. Continua Mr. Rafiel mais adiante:

Eu quero que a senhora investigue um determinado crime. Nosso nome de código, minha senhora, é Nemesis. Não creio que tenha esquecido em que lugar e em que circunstâncias usou-o comigo pela primeira vez.

Mas, afinal, quem ou o que é Nemesis? E por que motivo Mr. Rafiel escolheu justamente este nome para Miss Marple? Para conhecer as respostas, prepare-se para entrar no fascinante mundo mágico dos deuses e da mitologia!...

Era uma vez uma jovem
chamada Nêmesis

Estátua de Nêmesis - Museu do Louvre, França.
Ela também tinha outro nome, Adrasteia, mas preferia ser chamada mesmo de Nêmesis. Ela era uma deusa, filha do poderoso deus Zeus. Bem, pelo menos alguns assim acreditavam. Mas a verdadeira identidade de seus pais é um mistério.
O problema é que naquela época, os deuses e titãs e semideuses e ninfas e os humanos e todo aquele pessoal gostava muito de, como direi de forma educada, de praticar sexo com qualquer um que lhe desse vontade e a qualquer momento! E assim, eles acabavam gerando dezenas, até centenas de filhos com os mais variados seres. E aí, geravam também uma grande confusão!

Deusa Nyx - pintura de William-Adolphe Bouguereau


Segundo o poeta Hesíodo, Nêmesis era na verdade filha de Erebus (uma entidade primordial masculina) e da deusa da noite Nyx (Aha! Não é só mera coincidência que a palavra noite do português, night do inglês, Nacht do alemão, noche do espanhol sejam tão parecidos com Nyx...)
Mas há também quem diga que Nêmesis era filha somente da deusa Nyx, o que não é nada estranho, já que os deuses mitológicos podiam praticamente tudo, inclusive gerar filhos sozinhos! Todavia, Pausanias, outro autor grego, disse que Nêmesis era filha do titã Oceano e com a ninfa Tétis.


A Deusa da Justiça Implacável

Nêmesis pintada por  Alfred Rethel em 1837


Bem, além de toda esta confusão, a pobre menina-deusa Nêmesis não foi muito bem recebida por Nyx, sua mais provável mãe. Logo que deu a luz à Nêmesis, Nyx, cansada de gerar tantos filhos, simplesmente entregou sua própria filha para que as moiras, que eram as deusas do destino, a criassem.

Talvez justamente pelo tipo de criação que teve, Nêmesis era associada originalmente ao cumprimento do destino ou à distribuição da sorte, não necessariamente boa, nem má, mas sim, proporcional ao que cada um merecia por seus atos. Trata-se da deusa da justiça implacável, que não pode permitir que um mal prossiga sem punição.

Mas é claro que aqueles que recebiam uma sorte ruim e achavam que não mereciam tal destino ficavam aborrecidos com Nêmesis. Como consequência disso, Nêmesis também ficou associada à ideia de ressentimento e de vingança cruel. Afinal, ela acreditava que ninguém deveria receber muitos benefícios jamais! Ou seja, a arrogância, assim como o excesso de felicidade deveriam ser punidos.

Punição para Narciso


Echo e Narcissus pintados por John William Waterhouse, 1903,
Walker Art Gallery, Liverpool, Inglaterra.


Uma estória famosa ligada diretamente a Nemesis e ao seu senso frio e racional de destino é a lenda de Narciso.

Era uma vez Narciso, um caçador e um homem lindíssimo, porém muito arrogante, que desdenhava daquelas que se apaixonavam por ele e por sua beleza.

Era uma vez, também, Echo. Ela era uma ninfa alegre e muito tagarela que, no passado, havia sido punida pela deusa Hera, incomodada com sua tagarelice. A consequência desta punição era que Echo não mais conseguia falar, porém apenas conseguia repetir as últimas palavras ditas por alguém. Sim, exatamente: a nossa palavra eco provém diretamente do nome desta ninfa e de sua punição!  

Um belo dia, Echo avistou Narciso na floresta e se apaixonou perdidamente por ele. Narciso, todavia, como era seu costume, desdenhou do amor da linda Echo. Foi então que Nêmesis, nossa deusa da vingança e da justiça implacável, resolveu atrair Narciso para um lago límpido de águas tranquilas, onde ele pôde ver sua imagem refletida na superfície. Convencido como era, Narciso ficou encantado com seu próprio reflexo, a ponto de não conseguir mais se mover ou se distanciar dele ou mesmo parar de olhá-lo, até que ali, petrificado naquele local, ele morreu, preso por sua própria arrogância.

Cruel? Talvez. Afinal, Echo também ficou sem seu amor, e pior, o testemunhou morrer. Mas este é o significado da deusa Nêmesis: justiça fria, racional, implacável. Não há o menor espaço para piedade ou perdão.



A Vingadora de Quem Não se Pode Escapar


Cena do episódio Nêmesis, no seriado britânico Marple,
com Geraldine Mcewan como Miss Marple


Nas tragédias gregas, Nêmesis aparece sempre como a vingadora do crime cometido e aquela que leva a punição para a arrogância e para o excesso de felidade. Ela é, portanto, aquela deusa de quem não é possível escapar.
E é justamente por este motivo que Mr. Rafiel denominou Miss Marple de Nêmesis: a senhorinha esperta de quem nenhum assassino, nem mesmo o mais ardiloso, esperto, inteligente, sortudo, poderia escapar – jamais!
Nêmesis tornou-se, assim, na mitologia, a personificação da vingança. Nas próprias palavras de Miss Marple, Nêmesis às vezes tarda, mas não falha!

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Notícias & Novidades - Aniversários em 2014



2014 – Aniversários de publicação:











* Mistério no Caribe










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* Um Destino Ignorado












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* Hora Zero 









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* Assassinato no Expresso do Oriente





* O Detetive Parker Pyne 








* O Mistério de Listerdale





* Por que não pediram a Evans?





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* O Homem do Terno Marrom



* Poirot Investiga