quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Miss Marple: Chá & Bolinhos - MANUAL DAS BISBILHOTEIRAS DE ST. MARY MEAD






Se você morasse em uma singela aldeia inglesa como St. Mary Mead, lar de Miss Marple, a esperta velhinha detetive criada por Agatha Christie, os mexericos, pequenos ou grandes, inofensivos ou maldosos, fariam parte de sua vida, querendo ou não!

Você tomaria intrigas com o café da manhã e passaria manteiga de ervas e indiscrições em seu pão. Você almoçaria frango temperado com comentários impertinentes, beberia um copo de água gazosa misturado com fofocas e saborearia uma deliciosa sobremesa de escândalos cochichados ao pé do ouvido. Mais tarde, você salpicaria canela e dúvidas quanto à moral dos vizinhos em seu chocolate quente e comeria bolinhos recheados com creme e fuxicos.


Assim imagino St. Mary Mead


Seu chá das 5 h. seria adoçado com mel e insinuações maliciosas e suas torradas seriam cobertas com geleia e bisbilhotice. À noite, você tomaria um prato fundo de sopa com gengibre e notícias apimentadas, e mais tarde beliscaria biscoitinhos cobertos de açúcar e informações constrangedoras sobre pessoas conhecidas que lhe fariam corar!

Só depende de você escolher de que lado dos mexericos prefere ficar: do lado de quem é uma vítima deles ou do lado de quem os produz. Mas, aconselho que pense muito bem! Afinal, não apenas as fofoqueiras se divertem muito mais do que suas vítimas, como também, conforme afirma nossa sábia velhinha detective:


Joan Hickson como Miss Marple


Concordo em que o mexerico é errado e até cruel, mas quase sempre é verdadeiro, não é?

(Miss Marple em Assassinato na Casa do Pastor)


Então, caso tenha se decidido pelos prazeres da bisbilhotice, aqui estão algumas dicas preciosas reunidas neste MANUAL, elaborado com base nos exemplos das grandes e adoráveis (ou nem tanto...) fofoqueiras criadas por Agatha Christie. Aproveite e divirta-se você também!



MANUAL  DAS  BISBILHOTEIRAS  DE  ST.  MARY  MEAD






1. Xeretar e vigiar a vida dos outros incansavelmente.


* — E foi aqui que tudo aconteceu, então? — perguntou Miss Marple, acrescentando, em tom de desculpa: — Tenho a impressão de que a senhora está me achando muito curiosa...
(A Mão Misteriosa)

* O olhar astuto de Miss Marple percorria toda a sala.
— Estou vendo que a senhora não tem tapete diante da lareira — observou.
Dinah Lee virou-se e a encarou. Não tinha a menor dúvida de que a velha senhora a estivesse passando por um escrutínio.
(Um Corpo na biblioteca)

* — A srta. Wetherby telefonou — disse ela. — A sra. Lestrange saiu
às oito e quinze e não voltou até agora. Ninguém sabe aonde ela foi.
(...) — Também não foi ao dr. Haydock. A srta. Wetherby sabe disso
porque telefonou para a srta. Hartwell, que mora ao lado dele e teria
dito algo, caso a sra. Lestrange houvesse aparecido por lá.
(Assassinato na Casa do Pastor)

* Miss Marple inclinou-se para frente. Tinha uma mancha cor-de-rosa em cada bochecha. — Achar-me-ia muito indiscreta e muito indelicada se lhe perguntasse o que dizia a mensagem?
(A Mão Misteriosa)

* — Ela vive ocupada demais com o seu jardim e não cuida do marido. É preciso estar sempre de olho nos homens, sempre, sempre — repetia a srta. Hartwell.
(Um Corpo na biblioteca)



Deddie Davies como Mrs. Salisbury



* Miss Marple sempre vê tudo. A jardinagem é um bom disfarce, e o hábito de observar passarinhos com binóculos de longo alcance sempre pode ser útil.
(Assassinato na Casa do Pastor)

* — É mesmo? Mas então falaram de quê?
— Quadros, música, livros — respondi, falando a verdade. Os únicos assuntos que interessam à srta. Hartwell são puramente pessoais, e por isso ela me olhou com suspeita e descrença.
(Assassinato na Casa do Pastor)

* — Fiquei pensando, não haverá um pouco de romance no ar? — sugeriu, com ar maroto, Miss Marple. — Com aquele rapaz alto?
— Com Patrick, a senhora quer dizer? Não, eu não...
— Não, eu falo de um rapaz alto, de óculos. Já o vi por aí.
(Convite para um Homicídio)

* — O pobre coitado vai ser agarrado antes que perceba onde está. Ele é inocente como um bebê que está para nascer, todo mundo sabe disso.
(Srta. Hartwell em Assassinato na Casa do Pastor)

* — Miss Marple também não tem perdido tempo. Fletcher relata que ela tem tomado o café da manhã no Bluebird. Já foi tomar um cálice de sherry com Hinchliffe e Murgatroyd e chá em Little Paddocks. Esteve apreciando o jardim dos Swettenham... e foi conhecer as curiosidades indianas do coronel Easterbrook.
(A Mão Misteriosa)



2. Afinal, para que servem as janelas se não para espionar os vizinhos?



Angela Lansbury como Miss Marple


* — Como se consegue ingerir algum alimento neste lugar. Devem fazer suas refeições em pé, junto à janela, para ter certeza de que não estão perdendo nada.
(Pastor Clement em Assassinato na Casa do Pastor)

* Compreendi perfeitamente. Tirando partido do fato de que a casa estava vazia, a srta. Hartwell dera rédeas à sua curiosidade e rodeara a casa, examinando o jardim e olhando por todas as janelas para ver o máximo possível do interior.(Pastor Clement em Assassinato na Casa do Pastor)

* Minha primeira visita foi à srta. Hartwell. Devia estar espreitando pela janela, pois, antes que tivesse tempo de tocar campainha, abriu a porta da frente e, apertando minha mão com firmeza, fez-me entrar. (Pastor Clement em Assassinato na Casa do Pastor)

* — Então resolvi dar a volta à casa e.. . e bater numa janela — continuou sem corar. — Fiz a volta inteira e olhei em todas as janelas, mas não havia ninguém em casa.
(Srta. Harinell em Assassinato na Casa do Pastor)



3. Se deliciar com os escândalos.





* Houve uma pausa, enquanto as senhoras saboreavam aquela nota a mais no escândalo da aldeia. (Um Corpo na Bilbioteca)

* Miss Marple estava naturalmente entusiasmada com o assunto. Como disse apologeticamente: — Temos tão pouco de que falar no campo! — Tinha decidido que a rapariga morta devia ser exatamente como a Edith dela. (A Mão Misteriosa)

* — E sua pobre esposa?
A Srta. Hartwell procurou disfarçar seu prazer intimo e ardente.
— Realmente. Não acho que ela tenha qualquer ideia.
(Um Corpo na Bilbioteca)

*A agitação foi enorme por um instante, até que Miss Marple disse
em tom de censura, mas sorrindo: — Menina travessa!
(Assassinato na Casa do Pastor)

* É um episódio tão emocionante... como essas coisas que a gente lê nos jornais... e, tendo acontecido com alguém que a gente conhece... estou louca para ouvir a história toda, para imaginar exatamente como tudo aconteceu, a senhora entende, não?
(Miss Marple em A Mão Misteriosa)

* Estou muito preocupada, bastante excitada mentalmente, sem saber o que devo fazer. Soube de uma coisa que acho que pode ser importante.
(Sta. Wetherby em Assassinato na Casa do Pastor)



4. Saber que não vai agradar aos outros, mas não ligar a mínima para isso!


Barbara Hicks  como Miss Hartnell


* — Quem virá? (...)
— A sra. Price Ridley, a srta. Wetherby, a srta. Hartwell e a terrível Miss Marple. (...) É a que mais fala mal dos outros na aldeia — disse Griselda. — E sempre sabe de tudo o que aconteceu e tira as piores conclusões.
(Griselda em Assassinato na Casa do Pastor)

* A Srta. Wetherby é uma solteirona impertinente, de nariz comprido. (Um Corpo na biblioteca)

* A srta. Hartwell, que é uma mulher acabada, porém alegre e muito temida pelos pobres. (Assassinato na Casa do Pastor)

* — As gatas velhas do condado foram procurá-lo por causa disso? Por causa de meus costumes? Ora essa, a moral não é assunto para a Polícia. (sr. Blake em Um Corpo na Bilbioteca)

* — O que elas precisam — volveu Griselda — é de um pouco de imoralidade em suas vidas. Assim não ficariam tão ocupadas procurando isso na vida dos outros.
(Assassinato na Casa do Pastor)

* A srta. Wetherby é uma mistura de vinagre e rompantes. (Assassinato na Casa do Pastor)

* – Há mulheres demais nesta parte do mundo.
(Cel. Melchet em Um Corpo na biblioteca)

* – Miss Marple é a perfeita investigadora local. Ela já nos passou a perna, uma vez, não foi? (...)
– Daquela vez era um caso local, Sir. A velha sabe de tudo que se passa na aldeia, isso é verdade.
(Um Corpo na biblioteca)



5. Dizer o que tiver que dizer, doa a quem doer.



Miriam Margolyes como Mrs Price-Ridley


* — É revoltante, em minha opinião — a srta. Hartwell prosseguiu com sua habitual falta de tato.
(Assassinato na Casa do Pastor)

* — A senhorita me permitiria dar-lhe um conselho, muito embora possa parecer impertinente? — perguntou Miss Marple.
— Eu o considerarei impertinente. É melhor a senhora não dizer nada.
— Não obstante, vou dizer. Quero aconselhá-la, veementemente, a não continuar a usar seu nome de solteira na aldeia.
(Um Corpo na biblioteca)

* – Eu não devia me queixar, mas às vezes penso que se viver muito tempo mais perto de Mrs. Hartwell, vai haver um lamentável incidente. Aquela velha gata de cara azeda, sempre fofocando e reclamando. Jim também está bem cheio. Teve uma briga de primeira classe com ela ontem à noite. Apenas por que ouvimos o Messias um pouco mais alto! Você não pode fazer objeções ao Messias, pode? Quero dizer, é religioso.
— Ela objetou?
— Criou uma confusão terrível — disse Cherry. — Bateu na parede, gritou e isto e aquilo.
(A Maldição do Espelho)

* É muito difícil, com a srta. Hartwell, saber onde acaba a narrativa e começam as acusações. (Assassinato na Casa do Pastor)

* Miss Marple, ignorando essas considerações da Sra. Bantry, acrescentou:
— E, no entanto, você sabe, correm muitos boatos por aí.
(Um Corpo na biblioteca)

* — Ele era uma criancinha adorável em seu banho.
— Há uma linda fotografia do assassino de Cheviot quando criança, no jornal de domingo passado — disse Miss Marple.
(Um Corpo na biblioteca)



6. Não deixar uma pessoa escapar até ela escutar tudo o que você tem a dizer.



Geraldine MacEwan como Miss Marple


* Ao atravessar o portão, fui agarrado. A srta. Hartwell é perita em agarrar as pessoas, de uma maneira brusca e incômoda.
(Pastor Clement em Assassinato na Casa do Pastor)

* Eu queria falar com a Megan. Tinha querido falar com ela o dia todo. Apressei o passo. Mas ao chegar junto delas, a Megan virou-se e foi-se embora na outra direção. Fiquei irritado e queria ir atrás dela, mas Miss Marple bloqueou-me o caminho.
 (A Mão Misteriosa)

* A caminho de casa, encontrei a srta. Hartwell, que me prendeu pelo menos por dez minutos, reclamando com sua voz grave. (Pastor Clement em Assassinato na Casa do Pastor)


7. Usar uma boa dose de malícia ao fazer mexericos e falar mal dos outros.



Angela Lansbury como Miss Marple



* — Será que há mesmo alguma coisa entre Lawrence Redding e Lettice Protheroe? — indagou a srta. Wetherby. — Certamente parece que há.
(Assassinato na Casa do Pastor)

* — Aquela que fica deitada no jardim, praticamente nua?
(Srta. Hartwell em Um Corpo na biblioteca)

* – A empregadinha da casa do Sr. Harbottle, por exemplo. Uma mocinha muito vulgar.
(Miss Marple em Um Corpo na biblioteca)

* — Essas moças são umas sonsas — lastimou a sra. Price Ridley.
— (...) Ele é um bonito rapaz.
— Mas sem moral — afirmou a srta. Hartwell. — Tem de ser. Um artista! Paris! Modelos! Nus!
— Pintar um quadro dela de maiô! — disse a sra. Price Ridley. — Não fica bem.
(Assassinato na Casa do Pastor)

* Ela é uma mulher muito tola — disse ela — Gosta de se exibir. Vai apanhar ervas e coisas assim na lua cheia e tem o cuidado de fazer com que toda a gente fique sabendo.
— E as moças tontas vão consultá-la, suponho? - disse Miss Marple.
(A Mão Misteriosa)

* — É revoltante! Ele deve ser pelo menos vinte e cinco anos mais velho do que ela.
(Srta. Hartwell em Assassinato na Casa do Pastor)

* — Você conhece aquela mulher horrorosa que anda com Basil Blake? – perguntou a srta. Wetherby.
— Aquela loura de cabelos horrivelmente oxigenados? — a Srta. Hartwell estava um tanto atrasada, pois não passara ainda do oxigenado para o platinado.
(Um Corpo na biblioteca)

— Será que há mesmo alguma coisa entre Lawrence Redding e Lettice Protheroe? — indagou a srta. Wetherby. — Certamente parece que há.
(Assassinato na Casa do Pastor)

* A Srta. Wetherby foi a primeira a espalhar a notícia inebriante. Entrou toda afobada na casa de sua amiga e vizinha, a Srta. Hartwell.
(Um Corpo na biblioteca)


Geraldine MacEwan como Miss Marple


* Três vozes femininas soaram ao mesmo tempo, fazendo comentários estapafúrdios sobre o passeio dos meninos do coro, o incidente lamentável na última reunião das mães e as correntezas de ar na igreja.
(Assassinato na Casa do Pastor)

* — Um pouco semelhante a Jesie Golden, a filha do padeiro —acrescentou Miss Marple. — Ela treinava para ser babá e se casou com o filho do dono da casa.
(Um Corpo na biblioteca)

* Estava no portão da frente, aonde fora um minuto ou dois, diz ela que para tomar ar. Muito pouco provável, na minha opinião; o mais provável é que estivesse esperando o rapaz da peixaria, se é que se pode chamar aquilo de rapaz, um garoto atrevido, pensa que porque tem dezessete anos pode mexer com todas as moças.
(Sra. Price Ridley em Assassinato na Casa do Pastor)

* — Na época de hoje, uma moça pode ter uma ocupação da mesma maneira que um homem.
— Para vir trabalhar fora da cidade? E ficar no mesmo hotel? —retrucou a sra. Price Ridley em voz severa.
A srta. Wetherby murmurou baixinho para Miss Marple:
— E os quartos são todos no mesmo andar...
(Assassinato na Casa do Pastor)

* — Acredita mesmo que ela quer se casar com aquele careca aborrecido?
— Dizem que ele está muito bem financeiramente — observou Miss Marple.
(Assassinato na Casa do Pastor)

* — Que mulher ruim! — exclamou a srta. Hartwell com justa raiva.
— Infelizmente, era muito devassa.
— E o Coronel Bantry... parecia um homem tão quieto...
— Os quietos muitas vezes são os piores, assim afirma Jane Marple — disse a Srta. Wetherby picantemente.
(Um Corpo na Bibioteca)


Ita Ever como Miss Marple



* — Se aconteceu alguma coisa? — a Sra. Price Ridley repetiu a pergunta dramaticamente. — Um escândalo horroroso! Ninguém poderia imaginar isso. Uma mulher devassa, completamente despida, estrangulada na casa do Coronel Bantry.
(Um Corpo na biblioteca)

* — Oh, minha querida! — disse Miss Marple. — Acho que os casados são os piores. Lembre-se da pobre Mollie Carter.
— Homens casados que vivem separados de suas esposas são, é claro, desacreditados — afirmou a srta. Wetherby.
(Assassinato na Casa do Pastor)

* E que barulho ele fez por causa do namoro de sua filha com o jovem Bailey! No final das contas, era a sirigaita da mulher dele.
(Miss Marple em Assassinato na Casa do Pastor)

* A srta. Wetherby comentou rispidamente: — Nenhuma moça direita faria isso.
— Faria o quê? — perguntei.
— Ser secretária de um homem solteiro — esclareceu a srta. Wetherby com uma voz horrorizada.
(Assassinato na Casa do Pastor)

* — Sempre o julguei muito burro — volveu Miss Marple. — Esse tipo de homem que, quando põe uma ideia na cabeça, ninguém consegue convencer de outra coisa.
(Assassinato na Casa do Pastor)



8. Manter informantes em todos os lugares possíveis – e em alguns impossíveis também!


Mary Whithacker como Mrs. Wetherby


* — Vamos dizer que foi um passarinho que me contou. Isso é seguro, não é? (...) — Bem, esse passarinho me contou que viu uma certa senhora, cujo nome não posso dizer.
(Assassinato na Casa do Pastor)

* A Sra. Price Ridley estava entre as últimas a saber da notícia. (...) Sua informante foi sua empregadinha Clara.
— Você disse uma mulher, Clara? Encontrada morta no tapete do Coronel Bantry?
— Sim. E dizem que estava completamente nua, sabe, nuazinha.
(Um Corpo na biblioteca)

* Como estava dizendo, minha empregada Clara estava no portão e ouviu um espirro. (...) — Ouviu um espirro no dia do assassinato, numa hora em que não havia ninguém em sua casa.
(Sra. Price Ridley em Assassinato na Casa do Pastor)

* Discou numa rápida sucessão para a casa paroquial, para a Sra. Price Ridley, para Miss Hartwell, Miss Wetherby e, em último recurso, para o peixeiro que, em virtude de sua vantajosa situação geográfica, sabia geralmente onde se encontrava todo mundo na aldeia.
(Um Corpo na biblioteca)

* O velho Ashe fez uma pausa, recuperou o fôlego, e continuou:
— O Jim Huggins garantiu que a srta. Blacklock não guarda muito dinheiro em casa; ele deve saber, porque é a mulher dele que vai lá todo dia arrumar a casa, e aquela velha sabe de tudo que acontece por perto dela. Abelhuda, sabe como é?
(Convite para um Homicídio)

* — É preciso que o senhor compreenda que ouvi isso de fonte segura.
Em St. Mary Mead a fonte segura é sempre a empregada de alguém.
(Assassinato na Casa do Pastor)

* E isso é uma grande verdade — disse Miss Marple. — É impressionante a rapidez com que as notícias correm. Em parte são os empregados, mas não pode ser apenas isso; temos tão poucos empregados hoje em dia. Mas há essas mulheres que trabalham por hora, e até que devem ser piores, porque vão de casa em casa, espalhando as novidades.
(Convite para um Homicídio)



9. Reclamar do progresso e dos novos tempos.


Julia Mackenzie como Miss Marple


* E é você mesma que deve pegar a cesta e andar por ali procurando as coisas. Às vezes gasta-se quinze minutos para encontrar tudo que se quer, e é tudo empacotado em tamanhos inconvenientes, muito pouco ou em excesso. E então se tem que esperar para pagar em uma longa fila quando se vai embora. Muito cansativo.
(Maldição do Espelho)

* É um outro sinal dos tempos — disse Miss Marple. — Hoje, é muito comum a gente não conhecer os parentes mais jovens. Antigamente, quando havia reuniões de família, isso seria impossível.
(Convite para um Homicídio)

* — Montes de coisas de que ninguém nunca ouviu falar — exclamava A srta. Hartwell. — Todos aqueles enormes pacotes de cereais, em vez de se cozinhar para uma criança uma refeição apropriada de  toucinho e ovos.
(A Maldição do Espelho)

* Sempre achei esses médicos jovens muito novidadeiros. Fazem a gente arrancar todos os dentes, tomar uma porção de remédios estranhos e acabam por nos tirar as tripas, antes de confessar que não sabem o que a gente tem. Eu prefiro os remédios antiquados, naqueles vidros escuros de farmácia. Afinal, esses sempre se podem derramar na pia.
(Miss Marple em Convite para um Homicídio)



10. Insistir no que quer, pouco importa se está amolando os outros.


Margaret Tutherford como Miss Marple


* — Senhoras de idade são muitos cacetes — afirmou a sra. Lestrange. — Especialmente a srta. Hartwell. Deve ter tocado a campainha pelo menos meia dúzia de vezes antes de desistir.
(Sra. Lestrange em Assassinato na Casa do Pastor)

* — Bati na porta e toquei a campainha — explicou. —Duas vezes. Talvez mais. E me ocorreu de repente que talvez a campainha não estivesse funcionando.
(Srta. Hartwell em Assassinato na Casa do Pastor)



11. Ajudar os pobres, mesmo que eles não queiram.


Rosalie Crutchley como Mrs Price-Ridley


* E quatro dos meus paroquianos mais pobres declararam revolta aberta contra a srta. Hartwell, que veio se queixar mim, furiosa. (Pastor Clement em Assassinato na Casa do Pastor)

* A Srta. Hartwell tinha um timbre de voz muito baixo e visitava os pobres infatigavelmente, por mais que eles procurassem evitar seus auxílios.
(Um Corpo na biblioteca)

* A caminho de casa, encontrei a srta. Hartwell, que reclamava com sua voz grave contra a improvidência e ingratidão das classes baixas. Parecia que o xis da questão era que os pobres não queriam a srta. Hartwell em sua casa. Meus sentimentos estavam todos com eles.
(Pastor Clement em Assassinato na Casa do Pastor)

* A srta. Hartwell, que é uma mulher acabada, porém alegre e muito temida pelos pobres...
(Pastor Clement em Assassinato na Casa do Pastor)



12. Considerar-se um exemplo de virtude e bons modos cristãos – ainda que não seja bem assim...


Julia Mackenzie como Miss Marple



* A srta. Hartwell ficou ainda mais vermelha. Se não fosse uma pessoa tão agressiva, diria que estava encabulada.
(Pastor Clement em Assassinato na Casa do Pastor)

* — Não queria enfiar meu cartão pela abertura das cartas. Não seria delicado, e eu posso ser muita coisa, mas nunca fui grosseira. – Ela fez essa espantosa declaração sem pestanejar.
(Srta. Hartwell em Assassinato na Casa do Pastor)




terça-feira, 12 de março de 2019

Livros & Entrelinhas - UMA BOA DOSE DE AMOR





O ROMANCE ESTÁ NO AR


Todos já devem ter percebido que Agatha Christie é, no fundo, uma pessoa romântica! Em vários de seus livros temos algum tipo de romance: sejam romances felizes como aqueles com pessoas que se apaixonam ao longo da estória, casais que já são apaixonados ou que foram muito apaixonados, seja o amor não correspondido e, portanto, personagens desiludidos ou tristes, mas, ainda assim, amor.

Para celebrar este doce sentimento que nos deixa com a cabeça nas nuvens ou com borboletas no estômago, o site oficial da escritora (link ao final) fez um seleção de estórias nas quais o romance é quase tão delicioso quanto o mistério e o perigo.



PERSONAGENS:

TOMMY  E  TUPPENCE
O  CASAL  ETERNAMENTE  APAIXONADO



David Walliams (Tommy) e Jessice Raine (Tuppence)


Espere espiões internacionais, duas guerras mundiais, assassinatos e roubos, enquanto Tommy e Tuppence descobrem a aventura em cada esquina. Tuppence lidera o caminho com sua natureza carismática, enquanto a maneira lenta e ponderada de Tommy fornece o papel perfeito. Juntos eles formam a “Jovem Aventureiros Ltda.”

O casal mais famoso de Christie começa suas aventuras em 1922 em “O Inimigo Secreto”, o segundo romance publicado por Christie. Ao longo de 50 anos, Tommy e Tuppence aparecem em mais três romances e uma coleção de contos. Eles são os únicos personagens de Christie que envelhecem em tempo real, começando sua jornada com o casamento na década de 1920, nós viajamos com eles para a aposentadoria em “Portal do Destino”, em 1973.





A  PEÇA  TEATRAL:

AMOR  DE  UM  ESTRANHO



Justin Avoth (Michael Lawrence) e Helen Bradbury (Cecily Harrington) em peça dirigida por Lucy Bailey


Cecily Harrington se comportou bem, trabalhou duro e esperou cinco anos para se casar com seu noivo Nigel. E agora ela ganhou muito em um sorteio. O retorno de Nigel do Sudão não vai de acordo com o planejado, já que Cecily encontrou um charmoso solteiro, Bruce Lovell. Determinada em busca de uma aventura própria, Cecily e Bruce iniciam um romance vertiginoso e mudam-se para um chalé remoto, longe da família e dos amigos. Mas quanto ela realmente sabe sobre seu novo marido?

A peça, adaptada por Frank Vosper, está agora disponível em Samuel French como parte da “The Collection”.





A  COLETÂNEA  DE  CONTOS:

O  MISTERIOSO  SR.  QUIN






“Havia sido uma festa típica de Ano Novo. Mas, à medida que a meia-noite se aproxima, o Sr. Satterthwaite – um atento observador da natureza humana – sente que o verdadeiro drama da noite ainda está por se desdobrar. E isso prova quando um misterioso estranho bate na porta.”

Conheça o par incomum, Sr. Quin e Sr. Satterthwaite, em 12 contos. Com sua previsão aparentemente sobrenatural, o Sr. Quin lidera Satterthwaite enquanto ele resolve brigas, casos de amor e um ocasional assassinato! O novo amigo do Sr. Satterthwaite é um enigma. Ao longo deste livro, ele parece surgir e sumir quase como um truque da luz. Na verdade, a única coisa consistente sobre ele é que sua presença é sempre um presságio – às vezes bom, mas às vezes mortal.





O  LIVRO:

A  MANSÃO  HOLLOW



David Suchet (Poirot) e Megan Dodds (Henrietta Savernake)


Hercule Poirot foi convidado para almoçar. A prolífica anfitriã Lady Angkatell tem vários visitantes de fim de semana, mas está preocupada com a lista de convidados. Haverá o doutor John Christow e sua esposa Gerda, seu primo Midge vai ficar, e David Angkatell é de Oxford (ou é Cambridge?). Além disso, Edward, o herdeiro, Veronica, a atriz, e Henrietta, a escultora (ela geralmente causa uma agitação), e o famoso detetive, Hercule Poirot. Uma cena de crime é encenada em honra de Poirot, mas a vítima simulada infelizmente perde a vida de verdade. Suas últimas palavras quando a arma cai na piscina? "Henrietta" ...

The Hollow é um assassinato em uma casa de campo com ligações românticas em seu coração.





O  CONTO:

THE  MANHOOD  OF  EDWARD  ROBINSON
(A  MASCULINIDADE  DE  EDWARD  ROBINSON)







O sensato Edward Robinson sonha secretamente com carros velozes, mulheres aventureiras e perigos, mas sua noiva, Maud, acredita no bom senso. Quando Edward ganha algum dinheiro em uma competição de jornal, ele secretamente compra o carro elegante de seus sonhos: "Ficou para ele por romance, por aventura, por todas as coisas que ele ansiava e nunca teve." A aventura segue rapidamente, pois ele está envolvido em escândalos da alta sociedade que o levam a uma transformação significativa.

A história é uma ode ao automóvel, que Christie confessou em sua autobiografia foi uma das duas coisas que mais a entusiasmaram em sua vida – ela tinha um Morris Cowley. Este conto apresenta em The Listerdale Mystery (Reino Unido), e The Golden Ball e outras histórias (EUA).





O  PSEUDÔNIMO:

MARY  WESTMACOTT




Agatha Christie publicou seis romances sob o pseudônimo Mary Westmacott. A ideia surgiu do desejo de Christie de "escrever algo diferente de uma história de detetive". Seriam 15 anos após a publicação de seu primeiro romance de Westmacott, “Giant's Bread” (1930), que sua identidade foi revelada. Examinando crimes do coração, essas histórias exploram os laços familiares, amor e paixão, infância e maternidade / paternidade, perda e indiscrição.

A filha de Agatha Christie, Rosalind Hicks, disse o seguinte sobre os romances: "Eles não são 'histórias de amor' no sentido geral do termo, e eles certamente não têm finais felizes. Eles são, eu acredito, sobre o amor em alguns de seus mais formas poderosas e destrutivas ".



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Site oficial de Agatha Christie:

https://www.agathachristie.com/news/2019/a-dose-of-romance-with-agatha-christie




quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Entre Aspas - AGATHA, O TREM E O RIO



VIAJAR:  INSPIRAÇÃO  PARA  AGATHA



Rio Nilo, Egito



O trem Expresso do Oriente e o Rio Nilo, no Egito  famosos elementos turísticos que serviram de inspiração para dois dos mais conhecidos e celebrados livros de Agatha Christie.




Trem Expresso do Oriente



Mathew Prichard, o neto de Agatha Christie, escreveu uma série de belos ensaios que trazem algumas das lembranças que tem de sua avó, de seus hábitos, gostos, ideias, momentos engraçados e outros em família etc., publicados no site oficial de Agatha Christie Ldta (link ao final).




Mathew Prichard, neto de Agatha Christie



Neste artigo, apresento o trecho em que Mathew fala sobre algumas das memórias de Agatha Christie sobre sua viagem a bordo do famoso trem Expresso do Oriente e da inspiração para seu igualmente famoso livro “Assassinato no Expresso do Oriente”, assim como de suas viagens ao Egito e a inspiração para outra obra icônica: “Morte no Nilo”.


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INSPIRADA  PELAS  VIAGENS



Escrito por Mathew Prichard


Todos que tomam como certo a facilidade, a velocidade e o conforto das viagens modernas deveriam ler a carta de minha avó a respeito de seu retorno a bordo do Expresso do Oriente para a Inglaterra em 1931:

A viagem começou com uma tempestade de trovões, enchentes, mal funcionamento do aquecimento, atrasos nas fronteiras e dificuldades de todo tipo, e, finalmente, a chegada na quarta-feira em vez de na segunda-feira... Nunca a palavra dificuldade foi tão bem empregada.

Os personagens a bordo do trem, e o próprio trem Expresso do Oriente, se transformaram em uma das estórias mais evocativas que ela escreveu. O que eu mais admiro nisso? Duas coisas: primeiro, a precisão meticulosa do enredo, forjada em torno do layout do trem e das pessoas se movimentando nele; depois, a tolerância e compreensão com as quais cada personagem é tratado, sendo eles membros da realeza ou condutores do vagão restaurante. De algum modo, isso torna o desfecho muito mais plausível.

“Assassinato no Expresso do Oriente” é um clássico e, em diversos aspectos, “Morte no Nilo” foi concebido de forma semelhante, exceto, é claro, que desta vez a cena do crime ocorreu em um barco – aliada ao pano de fundo do esplendor egípcio. Mais uma vez, o layout a bordo do barco é meticulosamente observado e torna-se crucial para um entendimento correto do enredo.


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Fascinada como sou pelo universo que rodeia Agatha Christie, fiz uma pesquisa sobre a história – origem, curiosidades, destino e fim – do trem Expresso do Oriente, a qual publiquei em um artigo neste blog, acessível pelo link:



Outros artigos que escrevi acerca do trem Expresso do Oriente:

* O coquetel Agatha Christie servido a bordo do trem:



* Rápidos fatos sobre o trem hoje em dia:




É claro que o livro “Assassinato no Expresso do Oriente” não poderia me passar despercebido. Artigos a respeito da obra, do filme e do mundo que o cerca nos links:


* Quizes com diversas curiosidades sobre a obra e o filme:





* Selos comemorativos:




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Link para o site oficial de Agatha Christie Ltda.: